09 de julho de 2026

Falta iluminação pública em pelo menos seis pontos da cidade


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Só as luzes de carros iluminam a avenida Marginal, que liga a Vila Santa Luzia e o Jardim Guanabara

A avenida Marginal, paralela à rodovia Cândido Portinari, é um canal de ligação entre a Vila Santa Luzia e o Jardim Guanabara bastante utilizado por motoristas, ciclistas e pedestres. Mas atravessar o trecho depois que escurece é como passar por um trem fantasma. No trecho de cerca de um quilômetro não existem postes de iluminação pública ou, quando existem, não há braços de luz. O trecho é um breu e já foi palco de uma morte após colisão entre duas bicicletas um ano atrás. A via é apenas um exemplo de bairros com falta de iluminação pública em Franca.

Nas últimas semanas, o Comércio percorreu alguns bairros e encontrou seis pontos distintos em que a falta de iluminação irrita os moradores. Há ruas que têm postes de energia, mas não há lâmpadas, outras que sequer receberam postes e outras com luzes queimadas ou quebradas. Este último é o cenário em ruas do prolongamento do Jardim Santa Bárbara. Lá vizinhos dizem que usuários de drogas quebram as lâmpadas com frequência para consumir e vender drogas.

Em outro ponto da cidade, a dona de casa Márcia Adriana Monteiro, 48, e sua família vivem o drama de conviver com trechos escuros no Jardim Bonsucesso. Eles moram na rua Geraldo Flausino de Senne, que tem iluminação, exceto em uma parte: na ponte. “A gente ficou anos sem luz na rua. Chegou a iluminação, mas não é tão eficiente porque queima ou tem falhas”, disse Márcia.

A dona de casa disse que “não tem a sorte de outros vizinhos” de ter carro, por isso tem que atravessar a pé o trecho escuro para levar as crianças na escola ou ir até o mercado do bairro. “Às vezes, saio às 6 da tarde para fazer compra e quando volto já anoiteceu. E tem terreno baldio que junta muitos bichos, como cobra, sapo, é um horror!”

Ela disse que quando as lâmpadas queimam, a CPFL demora a substituí-las. “Tem que ficar ligando para virem trocar. Um senhor desceu de bicicleta dia desses e bateu a cabeça no poste, na parte que está sem luz.”

O motorista Alexandre Teixeira, 29, é outro morador de Franca a conviver com a escuridão no bairro em que mora, o Jardim Santa Efigênia. Os dois endereços considerados por ele mais problemáticos são as ruas Luiz Tardivo e Abílio Ribeiro, que liga o bairro ao Jardim São Gabriel. Essa última via foi aberta há cerca de um ano, mas os 800 metros dela continuam um breu. Alexandre disse que os vizinhos já fizeram abaixo-assinado e o encaminharam para a Prefeitura, mas não houve resultados. “Dá medo de passar em alguns lugares daqui. Faz uns sete anos que a gente fez o pedido para colocarem luzes na Luiz Tardivo, mas nem vieram olhar. Tem poste, mas não tem braço de luz.”

A preocupação do morador não é apenas com a insegurança ao transitar pelas ruas. “Moramos somente eu e minha mulher e, como sou motorista, viajo muito e ela fica sozinha em casa. E ladrão aqui a gente não consegue nem contar quantas vezes entra na casa da gente. Para mim, a falta de iluminação contribui com essas invasões porque eles entram, levam as coisas e ninguém vê”, disse Alexandre.

Na avenida São Vicente, na altura do Polo Clube, uma das pistas só é iluminada pelos faróis dos carros. O risco de acidentes é alto. Há duas semanas, um ciclista se arriscou ao passar pelo local quando anoitecia e quase foi “atropelado” por um carro.

ACIDENTE
A falta de iluminação pode ter contribuído para a colisão entre duas bicicletas ocorrida na avenida Marginal, entre a Vila Santa Luzia e o Jardim Guanabara, no dia 25 de agosto de 2011. O sapateiro Fransérgio Barbosa da Silva, 39, morreu após a batida.

Fransérgio seguia para casa depois de um dia de trabalho. Gabriel Chagas, 16, vinha no sentido contrário e, num ponto de declive, se chocou com a outra bicicleta. Fransérgio morreu pouco depois na Santa Casa. Gabriel ficou em estado grave.