08 de julho de 2026

Tradição centenária


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Cavalhadas retrata a disputa entre mouros e cristãos desde 1836 em Franca. Neste sábado, o espetáculo se repete

Cavalhadas. Um espetáculo que resiste há 176 anos em Franca. Uma tradição que mistura arte cênica, história e fé. No gramado do Parque Fernando Costa, neste sábado (20 horas) e domingo (14 horas), os francanos poderão conferir a encenação que conta a Guerra da Reconquista, peleja entre mouros e cristãos ocorrida em Portugal, na Idade Média que, como de costume, foi deflagrada por motivos territoriais e religiosos. Com o conflito, a monarquia portuguesa retomou a Península Ibérica, região que foi dominada pelos muçulmanos durante oito séculos.

O papel da Cavalhada é retratar essa batalha e isso é feito em dois períodos: no primeiro, sábado, os rivais são apresentados dando início ao embate. No segundo, programado para o domingo, a narrativa é sobre o rapto da princesa moura que se converte à religião cristã por amor ao príncipe, seu ex-inimigo. Esse enredo é apresentado com riqueza de detalhes a partir das vestimentas especialmente preparadas para a encenação, envolvendo um grupo de aproximadamente 80 pessoas, entre atores, ajudantes, auxiliares, organizadores e dirigentes do Clube. “Estamos desde o dia 1º de julho nos movimentando lá no Parque de Exposição para os ensaios. Essa coreografia é bem antiga, tem quase 180 anos. Agora fizemos algumas adaptações, mas procurando manter a tradição do que era desde o começo. Por exemplo, nós estamos com um problema de não poder atirar. Ano passado não conseguimos, este ano também não por causa da lei de desarmamento. Nos proibiram de atirar com as garruchas na encenação. Há três anos não atiramos”, informou
o presidente do Clube Cavalhadas de Franca, Gabriel Anawate.

A origem do nome ‘Cavalhada’ vem do fato de o espetáculo acontecer sobre cavalos. Trazido ao Brasil pelos lusitanos por volta de 1600, o evento tem seu primeiro registro em Franca datado em 1836. Com sólidas raízes, a manifestação tornou-se patrimônio público municipal e transformou o Clube das Cavalhadas de Franca em Ponto de Cultura do Estado de São Paulo. “A cavalhada hoje é um Ponto de Cultura, então houve um investimento nesses três anos na ordem R$ 180 mil por parte do Governo do Estado e Federal. Antigamente a vestimenta e as tralhas dos animais eram todas dos participantes; cada um providenciava a sua. Agora, com essa verba, as Cavalhadas passaram a ter adereços, paramentação própria, pertencente ao clube”, revelou Anawate. Mesmo com o investimento da União e do Estado, o Município, por meio da Feac (Fundação de Esporte, Arte e Cultura) incentiva o evento. “A Feac vai montar uma arquibancada para 2 mil pessoas e também será responsável pela sonorização do ambiente”, diz o diretor da Fundação, Sérgio Menezes.

A organização afirma também que a estrutura contará com praça de alimentação e recursos já existentes no Fernando Costa, como os banheiros. Quanto à segurança, Anawate diz ter expedido um ofício solicitando o auxílio da Polícia Militar.

O evento é aberto gratuitamente a toda a população.