Já não é novidade para ninguém que a carga de tributos que incide sobre a folha de pagamento de nossas empresas é de um exagero quase insustentável nesses tempos em que a crise econômica mundial impacta negativamente o desempenho de muitas de nossas empresas.
Para tentar sanar esse problema, o Governo Federal colocou em prática o programa Brasil Maior, que visava estimular e desonerar alguns setores da indústria brasileira, entre eles o calçadista, ainda um dos mais importantes para a economia de Franca e região.
Como os resultados dessas medidas pontuais e emergenciais mostraram-se bastante modestos, a presidente Dilma Rousseff solicitou um estudo sobre a possibilidade de uma desoneração ainda mais ampla da folha de pagamento, abrangendo assim todos os setores de nossa indústria.
Para a indústria, como para o país, de forma geral, a idéia é excelente, não há dúvida. Desonerar a folha de pagamentos significa a possibilidade de se criar mais empregos. Como consequência imediata, teríamos uma circulação maior de dinheiro impulsionando o consumo e o giro de nossa economia, já que as pessoas teriam mais segurança para gastar parte do salário recebido mensalmente em novos produtos e serviços.
Mas para que o plano se tornasse ainda mais completo, seria interessante que a presidente, além dessa desoneração, propusesse também a diminuição do tamanho do Estado brasileiro. Apesar da reforma iniciada no governo de Fernando Henrique Cardoso, a máquina estatal do país continua absurdamente cara, ineficiente e perdulária, trazendo até os dias de hoje essa marca indelével que nos acompanha desde os tempos coloniais.
De nada vai adiantar diminuir os impostos e os encargos da indústria se o governo continuar gastando mal e inadvertidamente, principalmente no nível federal, o qual concentra a fatia mais grossa de nossos recursos, o jogo político mais complicado para sua liberação e também o maior índice de corrupção da esfera estatal. Se precisar tirar de outro lado para conseguir pagar suas contas, seja dos cidadãos ou de outros setores da economia, o plano vai acabar se tornando um jogo de soma zero, ou um mero truque de compensação, aliviando uma parte da sociedade e onerando exageradamente a outra.
Talvez já esteja na hora de enfrentarmos com coragem a reforma tributária e acabarmos de vez com a injustiça fiscal que persiste nesse país. Talvez a presidente pudesse aproveitar a alta popularidade que tem hoje em dia para arriscar aquilo que seus antecessores não foram capazes de realizar.
Ficar apenas remendando o que deveria ser totalmente reestruturado não vai nos levar a lugar nenhum no médio prazo Nem resolverá o problema de nossa indústria.