Hoje, ao invés de escrever sobre apenas um assunto como tradicionalmente faço, resolvi tratar de dois temas que julgo atuais e oportunos, além de estarem diretamente relacionados com nossa cidade.
O primeiro diz respeito às eleições municipais. Examinei a história política de Franca e constatei que em 46 anos a cidade foi governada por apenas seis prefeitos que se alternaram no poder: José Lancha Filho, Hélio Palermo, Maurício Sandoval Ribeiro, Sidnei Franco da Rocha, Ary Pedro Balieiro e Gilmar Dominici. Óbvio que alguns deles ocuparam o paço municipal por mais de uma vez.
Portanto, qualquer que seja o resultado das urnas neste ano, Franca terá um novo nome para administrar seus destinos nos próximos quatro anos, e isso pode representar o início de novo ciclo de governantes em nossa cidade. O outro assunto que quero tratar está ligado ao trânsito francano. Recentemente, os meios de comunicação repercutiram o fato de que a frota de veículos licenciados em Franca atingiu a casa dos duzentos mil, uma média por habitante bem superior à nacional.
Portanto, para uma população estimada em trezentos e vinte mil habitantes, a quantidade de veículos anunciada pela imprensa é bastante significativa. Ademais, Franca recebe, diariamente, visitantes de toda a região. O problema não está apenas na quantidade de veículos nas ruas, mas sim, e principalmente, na falta de educação de alguns motoristas e, especialmente, motociclistas. Muitos não respeitam a faixa de pedestres, não respeitam semáforos, ultrapassam pelo lado proibido. É um verdadeiro caos. Apenas a título de ilustração, no semáforo para passagem de pedestres instalado na avenida Dr. Ismael Alonso Y Alonso, entre os dois prédios da Uni-Facef, local de grande fluxo de pessoas, especialmente alunos e professores, por duas vezes quase fui atropelado, embora o sinal estivesse verde para a minha travessia naqueles momentos.
Dois outros colegas professores da Faculdade Municipal de Direito, me revelaram que passaram pela mesma situação de risco pessoal. E eu já presenciei duas ou três pessoas em apuros naquele mesmo local, em razão do desrespeito do condutor do veículo para com o sinal. É importante o motorista e principalmente o motociclista saber que em todo país civilizado do mundo, a preferência é do pedestre, sendo que, havendo semáforo, por mais razão que tenha, deve ser respeitada a sinalização.
Penso que além de se construir viadutos, pintar faixas, alargar e sinalizar as ruas além de outras importantes iniciativas que, seguramente, contribuem para a melhoria do trânsito na cidade, as autoridades locais devem pensar também em promover uma campanha de educação no trânsito. Educar para não ter que penalizar.
Setímio Salerno Miguel
Advogado empresarial e professor da Faculdade de Direito de Franca