Nossa cidade vai mostrar ao público que comparecer ao Parque Fernando Costa, neste final de se-mana, o espetáculo Cavalhadas, de antiga tradição em Franca. A festa, ou folguedo, como também a costumam chamar, é por sua vez de origem remota, tem séculos de existência. E sua pátria de origem é Portugal.
De Portugal ela veio para o Brasil com os primeiros colonizadores. Como sabemos, quando as pessoas deixam suas terras e buscam outras, elas levam consigo hábitos, costumes, tradições e festas. Os portugueses trouxeram receitas culinárias, lendas medievais, cantigas de roda, devoção aos santos de junho, as festas juninas e muitos outros hábitos incorporados à vida cotidiana. Uma das comemorações trazidas por eles são as Cavalhadas.
As Cavalhadas são um festejo que tem por objetivo relembrar a Guerra da Reconquista. Que guerra foi esta? Foi aquela em que os cristãos pelejaram para retomar o território ocupado pelos muçulmanos em Portugal. Durante oito séculos, os muçulmanos, religiosos que têm como chefe espititual Maomé, mantiveram-se na Península Ibérica, região hoje ocupada por Portugal e Espanha.
No final deste período, os reis católicos, Fernando e Isabel, defensores da fé de Cristo, em oposição à fé em Maomé, deflagraram grandes ataques, expulsando de vez da cidade espanhola de Granada, os últimos muçulmanos que ali viviam. Mas antes desta grande batalha, outras foram travadas e é sobre uma delas que nos falam as Cavalhadas.
Esta festa é um teatro a céu aberto mostrado em dois dias. No primeiro, são apresentados os dois grupos de participantes: de um lado, mouros (outro nome para muçulmanos) e de outro, cristãos. Eles se apresentam para a luta, armados e com suas roupas em cores definidas, mostrando os dois lados, o dos cristãos e o dos muçulmanos.
No segundo dia há jogos e exibições. Por fim, vem a parte principal, a narrativa do rapto da princesa moura, Floripe, que estava apaixonada por um príncipe cristão, o qual se converte se converte num episódio bem movimentado. Final feliz para o casal.
As Cavalhadas recebem este nome porque toda a ação se desenvolve com os personagens a cavalo, movimentando-se em jogos e peripécias. A beleza do espetáculo deriva desta movimentação hábil de rapazes e moças em seus elegantes cavalos. Em Franca, a tradição desta festa popular vem sendo mantida pelas famílias Jacintho e Conrado.