08 de julho de 2026

Fábrica na prisão


| Tempo de leitura: 2 min

A prisão existe para reeducar o preso e reintegrá-lo ao convívio social. Mas, apesar de correta, essa afirmação só é factível na teoria. Na prática, todos sabem, a prisão é uma das melhores escolas para formar novos delinquentes ou mesmo aprimorar os conhecimentos daqueles que já são craques na arte da bandidagem.

Geralmente superlotadas, sem muitos recursos e sem nenhum projeto de recuperação dos presidiários, nossas prisões acabaram se transformaram em verdadeiros depósitos humanos, onde a única coisa que não se faz é tentar recuperar alguém para o convívio social.

Nesse sentido, a parceria entre o CDP (Centro de Detenção Provisória), o Sindifranca e o Senai é uma boa notícia para nossa cidade e também um bom exemplo para outros presídios que ainda não desenvolvem um projeto desse tipo. Com a criação de pequenas instalações fabris dentro do CDP e a capacitação dos presidiários para o trabalho, muitas dessas pessoas terão a oportunidade de melhorar suas vidas e de suas famílias mesmo dentro da prisão.

O trabalho, em si mesmo, é a essência de nossa humanidade. O homem historicamente vem transformando a natureza, adequando-a as suas necessidades, diferentemente dos animais, que se adaptam a ela. O homem, por exemplo, planta o trigo para garantir o pão e precisa transformar o ferro para chegar às ferramentas e outros produtos.

Dessa forma, o trabalho passa a ser um importante fator de aglutinação da vida em comunidade, pois essa transformação, na imensa maioria das vezes, não pode ser feita por um único homem, mas sim por uma comunidade, onde cada um desenvolve um trabalho específico.

Oferecer trabalho ao preso, portanto, é devolver-lhe sua essência humana, tornando-o útil ao todo social. Ao desenvolver atividades produtivas dentro do presídio, os detentos voltam de alguma forma a conviver com os princípios básicos da vida em sociedade, o que é uma excelente maneira de prepará-lo para a posterior reintegração e de ajudá-lo a manter-se longe das tentações que invariavelmente se fazem presentes nesses espaços.

Mas para além de devolver-lhes essa dignidade humana, de capacitar-lhes para uma profissão ou de simplesmente ocupar-lhes o tempo que poderia ser direcionado a uma ociosidade perigosa ou a atividades ilícitas, esse projeto ainda remunera os detentos e permite a eles e a suas famílias certo alívio financeiro, uma vez que muitas delas têm dificuldades em se manter quando um de seus membros economicamente ativos vai preso.