Eles estão espalhados por aí. Ficam vagando, no bom sentido, pela cidade para socorrer qualquer cidadão que esteja precisando. Precisam estar atentos e trabalhar sério enquanto o mundo se diverte. À noite são mais requisitados. A cerveja que todo mundo toma nas baladas do fim de semana é a razão do cafezinho deles, pois, energia nunca é demais quando se precisa, em muitas vezes, varar toda a madrugada levando pessoas para seus destinos. Deu para perceber qual é a importância dos taxistas, não é? E como será que é a rotina dos trabalhadores que precisam se preocupar com o trânsito sem desviar a atenção das histórias de seus passageiros?
Como representante destes profissionais temos o jovem Micael Américo da Silva, 22, natural de Guará (SP) que se mudou para Franca quando tinha oito anos. Sua família veio em busca de melhores condições de vida, assim como tantas outras que por aqui chegam. Para ajudar em casa, ele abandonou os estudos para trabalhar como atendente em uma central de táxi. “Hoje vejo que não devia ter largado a escola. Mas, graças a Deus, tenho oportunidade de terminar o Ensino Médio”, afirma. Micael retomou os estudos na última segunda-feira, pelo EJA (Educação de Jovens e Adultos) e agora vai dividir seu tempo entre o trabalho, os livros e a namorada, com quem mora em uma casa no Jardim Portinari. Deu para notar que ele é esforçado e foi justamente essa a qualidade que lhe rendeu uma promoção.
Depois de trabalhar como atendente, Micael trocou de emprego e foi para uma transportadora. Porém, para complementar a renda, fazia bicos na mesma central em que era atendente. Vendo toda a garra do rapaz, na primeira oportunidade, o chefe não quis desperdiçar aquela energia toda e resolveu fazer uma proposta. Pronto, assim nasceu o taxista Micael, há pouco mais de um mês.
24 HORAS ALERTA
A jornada de trabalho escolhida Micael é meio louca, principalmente para quem está acostumado com as usuais oito horas diárias. “Trabalho um dia inteiro. 24 horas. Aí é um dia de trabalho e outro de descanso. Acho que assim é melhor, pois posso pegar os dois períodos e, geralmente, à noite é mais movimentado”, explica Micael. “E no outro dia posso fazer as tarefas de casa, do banco, essas coisas”.
E como é o dia em que ele fica no táxi? “Isso depende. No meio de semana são, em média, 17 corridas. Já nos finais de semana em que a correria é maior, pode chegar a 45 corridas”, afirma Micael. “É cansativo. Porque precisamos ficar sempre alerta e buscar os melhores lugares. Além disso é preciso sempre ser simpático e dar atenção ao passageiro para que ele sempre procure o mesmo taxista”. Mesmo trabalhando para uma central de táxi, Micael ganha comissão por cada corrida e recebe, em média, R$ 1,5 mil mensais.
E levando tantas pessoas assim, claro que algumas situações, digamos, incomuns já aconteceram com o nosso taxista. “Em pouco tempo trabalhando eu já vi coisas muito estranhas, mas o caso que mais me chamou atenção foi de um rapaz que estava procurando sua mulher. Acontece que ela tinha ‘problema de cabeça’ e ele estava indo levá-la para ser internada. Só que a mulher surtou e escapou com R$ 1,5 mil que era o valor da internação. E o rapaz era simples, coitado. Ainda não sei o que aconteceu depois”, conta.