09 de julho de 2026

Asfalto secundário


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O que os olhos não veem, o coração não sente. Esse velho ditado popular talvez seja bastante significativo em relação ao problema do asfalto de nossa cidade.

Reportagem publicada por este Comércio no domingo, 22/07, mostra que as ruas do centro e os principais corredores viários da cidade vão muito bem.

O recapeamento recebe cuidado especial e os veículos deslizam tranquilamente.

Nos bairros, porém, a situação é bem diferente. Trincas, ondulações, remendos em excesso, buracos e uma infinidade de pedras que vão aos poucos se soltando, no mesmo ritmo em que recapeamento vai se esfarelando ao peso dos veículos que por ali circulam.

Do ponto de vista técnico, não é lá muito fácil entender o motivo dessa diferença, uma vez que os trabalhos de recapeamento na cidade são todos feitos pela Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca). Em termos de gestão, porém, talvez seja possível arriscar uma explicação.

No centro e nos principais corredores viários existe uma concentração de boa parte de nossa população. De uma forma ou de outra, quem sai de casa acaba utilizando uma dessas vias e geralmente ou vai ou passa pelo centro da cidade, local onde se aglutinam os bancos e a maior parte do comércio da cidade.

Como são mais utilizados por toda a população da cidade, esses espaços acabam também mais desgastados e, nesse sentido, demandam realmente mais cuidados por parte da Prefeitura. Até aí, tudo bem, dá para compreender. O que acontece, porém, é que uma coisa não justifica a outra. Cuidar bem do centro e das vias mais movimentadas da cidade não significa que o poder público possa abandonar as avenidas e ruas periféricas, aquelas que são utilizadas apenas pelos moradores dessas regiões específicas.

A despeito da importância das vias principais para a cidade, as secundárias também têm sua relevância, já que são fundamentais para o cotidiano de várias pessoas. Se agir dessa forma, a Prefeitura corre o risco de ir além de uma priorização de ruas e avenidas, criando também uma prevalência entre cidadãos, os de primeira categoria, com direito a ruas e avenidas bens conservadas, e os de segunda categoria, com direito a ruas asfaltadas, mas com conservação irregular.

Além disso, se continuar tratando de forma tão diferente as ruas e avenidas da cidade, a Prefeitura poderá dar a impressão que está mais preocupada em causar impacto na maior parte da população do que realmente resolver os problemas dessas vias.

Afinal, ao ver as ruas centrais bem cuidadas, os moradores do bairro podem pensar que os problemas limitam-se apenas às ruas de seu bairro e que logo elas poderão ser recuperadas. Uma espécie de recapeamento demagógico.