Em tempos de correria, jornada dupla com o trabalho e tarefas domésticas fica bem mais fácil comprar uma roupa nova, fazer as unhas, comprar joias ou receber uma massagem sem sair de casa. Apostando na comodidade e praticidade para os clientes como estratégia de vendas, muitos profissionais levam o produto ou seus serviços até o cliente.
Heloisa Martins, 37, por exemplo, vende roupas há cinco anos, mas nunca teve loja. As peças, compradas todos os meses em São Paulo, são acomodadas em três malas com rodinhas que Heloisa leva e deixa com as suas clientes. As roupas “dormem” na casa delas. “Tenho 30 clientes que visito direto. O meu negócio deu certo porque eu levo na casa ou no trabalho da pessoa, ela escolhe o que gostou, leva para casa, experimenta, coloca um acessório diferente e no outro dia me diz com o que vai ficar.”
A opção de levar a mercadoria até as consumidoras não beneficia apenas quem compra. Heloisa também leva vantagem. “As pessoas perguntam se não vou abrir uma loja. Mas, gosto de trabalhar dessa forma porque tenho disponibilidade de horário. Faço muito mais coisas do que se tivesse uma loja e ficasse esperando pelos clientes. Os gastos que tenho com combustível são pequenos diante disso.”
A ideia de começar a vender roupas foi sugerida pelo marido de Heloisa. Ela era bancária, mas precisou pedir demissão para acompanhar o marido que era jogador de futebol e viajava pelo País. Depois do nascimento do primeiro filho, ela quis se dedicar à maternidade, mas não queria ser apenas uma dona de casa. Por ser mais complicado ter um emprego fixo, então ela fez a primeira viagem para São Paulo, comprou roupas e ofereceu para a família e amigas. Acertou o alvo e não parou mais.
“Foi um meio de unir o útil ao agradável, trabalhar fora, ter uma independência e ao mesmo tempo ficar com meus filhos”, disse Heloisa, mãe de um menino de 8 anos e de uma garota de 2 anos.
Atualmente, ela viaja pelo menos uma mês para a capital. Já fez compras em outros centros, mas prefere São Paulo. No fim do ano, quando a demanda é maior, a frequência de compras aumenta e chega a ser semanal.
O nascimento dos filhos também incentivou Sheila Cristina Liporoni, 48, a investir nas vendas porta a porta. Desde os 20 e poucos anos ela visita as clientes para oferecer seus produtos. “Quando meus filhos eram pequenos eu cuidava deles durante o dia e à noite essa função ficava para meu marido, enquanto eu saía para vender os produtos. Se a casa da pessoa fosse perto da minha, levava as crianças”, relembra.
Ao longo dos anos, Sheila trabalhou em bancos, fábrica de calçados e em um hotel, mas hoje se dedica somente às vendas. Oferece bolsas, pratas, bijuterias e acessórios onde estaciona o carro. “Com minha idade é difícil conseguir emprego. E eu gosto de ir até as pessoas. Acho que assim a gente vende muito mais porque as pessoas não têm tempo de ir até as lojas, de comprar um presente. Chego a ir na casa das clientes às dez e meia da noite”, disse Sheila, que ganha em média R$ 900 por mês.
ESTÉTICA
Katherine Cristina da Cunha, 27, é manicure domiciliar. Ela diz que nunca gostou de ficar “fechada” num lugar à espera de clientes, por isso montar um salão de beleza ou trabalhar em algum estabelecimento não fez e não faz parte dos planos dela. “Desanimo de ter salão porque vou ficar muito presa, terei despesas altas. Amo atender em casa porque gosto de sair e estressa bem menos. Não preciso ficar esperando as clientes chegarem.”
Katherine tem uma maleta com esmaltes de cores variadas. Cada cliente tem o próprio material, como espátulas e alicates, já que ela tem dificuldade em esterilizar os utensílios por não ter um ponto fixo de atendimento. Recentemente, ela comprou um carro para transportar também uma cadeira e mesa próprias para fazer as unhas. E o preço que ela cobra pela comodidade não difere do salão: R$ 24 pé e mão.
A professora aposentada Ulysia e sua irmã são clientes semanais de Katherine. Ulysia disse que evita sair de carro porque o trânsito no Centro, onde mora, é complicado. “É bem melhor e mais tranquilo estar em casa. A Katherine se tornou amiga da gente, é como uma pessoa da família”, afirmou.