A imprensa notificou, com certo alarde, a informação de que, no Nordeste do Brasil, algumas pessoas se deram ao ritual de canibalismo. Comeram partes dos corpos de algumas vítimas de sua insânia assassina e, segundo o líder do grupo, tomaram tal atitude orientados por um “guia espiritual”. Diante das notícias, muita gente desinformada e outras de má fé atribuíram os rituais macabros ao Espiritismo, o que suscita de espíritas que ocupam algum espaço na mídia, e zelosos dos princípios em que se pauta a sua Doutrina, indispensável esclarecimento.
Em primeiro lugar, que se deixe inequivocamente assentado que no Espiritismo não há qualquer ritual ou cerimônia. Pode-se vasculhar a literatura eminentemente espírita e jamais se encontrará qualquer alusão a ritos como práticas doutrinárias.
Espiritismo só existe um (o codificado por Allan Kardec); contudo, há muita coisa por aí travestida de Espiritismo e que nada tem a ver com os seus princípios.
É preciso, por isso, louvar-se sempre na base codificada e nas obras que lhe sucederam, de autores e médiuns consagrados, sobretudo, pelo conhecimento e pela moralidade que os caracterizem.
Demais, é preciso ter em mente que o fato de um espírito se comunicar com os encarnados pode constituir um fenômeno espiritual, mas nem sempre espírita.
Segundo a classificação apresentada por Allan Kardec (o codificador do Espiritismo), nas questões 100 a 113 de O Livro dos Espíritos, há diversas ordens dos desencarnados segundo o seu grau de moralidade. Por isso, pode-se dar o fato de comunicar-se um espírito de categoria inferior que se auto denomine “guia” que, na verdade, está se aproveitando da credulidade e da ignorância daqueles que o evocam ou ouvem.
Contra isso também se coloca o Espiritismo. Um bom espírito (condição indispensável para que seja guia) nunca orienta no sentido do mal. Nunca elogia nem direciona a práticas maldosas. Fala genericamente, buscando sempre o bem de todos. Estimula à prática da caridade, ao esforço pessoal do autoburilamento, guiando sempre seus “tutelados” no rumo do aperfeiçoamento moral.
O Espiritismo só aceita mensagens de autoria espiritual que visem à edificação moral, porquanto calcadas nos princípios do Evangelho de Jesus.
É preciso que se analisem criteriosamente os dados coincidentes, as orientações gerais, a convocação à melhoria evolutiva. Eis, então, uma mensagem de um verdadeiro guia. No entanto, no uso irresponsável do livre-arbítrio, e por falta de conhecimento, muitas pessoas, não espíritas, põem-se em contato com os desencarnados, sem qualquer critério moral, dando lugar a entristecedoras aberrações que devem ser levadas à conta de mediunismo desorientado e sem qualquer vínculo com os princípios da Doutrina Espírita.
Daí, recomendar-se empenho no estudo do Espiritismo, a começar pelas obras básicas, para não se ver prisioneiro de entidades enganadoras, zombeteiras, que pululam no mundo espiritual à espera dos incautos.
Aliás, convém lembrar que os espíritos nada mais são do que homens desencarnados!
Felipe Salomão
Bacharel em Direito, diretor do Instituto de Divulgação Espírita de Franca