Existem múltiplos fatores que levam ao ciúme: insegurança, medo, instabilidade, desconfiança... À medida que o ciúme cresce, pior fica a manifestação por parte do ciumento, chegando a casos extremos de violência e até de morte.
Dentro de uma faixa de normalidade, ciúme eventual, que volta ao normal depois que a situação ameaçadora passa, é uma forma bastante comum. O que foge disso, começa a entrar num comprometimento maior do ciúme, em um nível de transtorno emocional, em um terreno patológico.
O ciúme tem motivações diferentes para homens e mulheres. O ciúme da mulher se volta mais à preocupação afetiva, pois ela tem medo de perder o objeto de seu amor, daí usa maior tolerância em aceitar a infidelidade conjugal. Já para o homem o ciúme tem um caráter mais de competitividade e de extrema intolerância. Mais do que perder a mulher, ele tem medo de perder o status, a posse, a honra. Teme ser passado para trás, ser traído. Isto tem ligação com o machismo e pressão social, itens que ajudam a impulsionar o ciúme masculino.
Para o ciumento, a relação afetiva é confundida com relação de necessidade em que se dá a posse recíproca do casal.
Um passa a viver em função do outro, estabelecendo vínculo simbiótico, de extrema dependência, do tipo ‘Eu não posso viver sem você, pois você é parte de mim’.
Por não conseguir estabelecer um funcionamento psíquico adequado, um busca emprestado as funções psíquicas do outro, pois sozinho sente que não consegue, controlando e retendo o outro sob o pretexto do ciúme e, portanto, do amor.
Essa relação de simbiose é muito complexa e torna as pessoas infelizes por também provocar a dependência do outro. Temos o que provoca o ciúme, como o que procura evitar.
Essa relação de complementaridade traz sofrimento ao outro também, que se vê preso às necessidades do parceiro (a), às ameaças, à falta de individualidade, de autonomia, de liberdade. As vítimas do ciúme demoram geralmente para percebê-lo e para reagir contra o mesmo, pois são movidas pela ideia de que o ciúme é uma demonstração de amor. À medida que tomam consciência da situação podem superar esse sofrimento provocado pelo ciúme.
A pessoa ciumenta sofre muito e deve procurar ajuda para desenvolver melhor suas funções e capacidades, sua autoestima, resolver seus conflitos inconscientes e seus sentimentos para fugir de relações de extrema dependência e vivenciar relações mais saudáveis, com mais liberdade.
Quando há amor-próprio, em que ambos conseguem preservar suas individualidades e caminharem juntos, encontrando um limite possível de segurança e convivência, certamente conseguem estabelecer uma relação mais saudável e feliz.
Jaqueline Pinto
Coordenadora do curso de pós-graduação em sexualidade da Famerp