09 de julho de 2026

Negócios de Franca com mercado externo caem no primeiro semestre


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Colheita de café em fazenda da região: venda do produto ao exterior caiu 46%

Os negócios de Franca com o mercado externo caíram no primeiro semestre deste ano. O município apresentou uma queda de 25,6% nas exportações e de 21,2% nas importações em relação ao mesmo período do ano passado, de acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.

As exportações de janeiro a junho, que no ano passado totalizaram US$ 136,1 milhões (R$ 277,7 milhões), neste ano foram de US$ 99,9 milhões (R$ 203,8 milhões). Já as importações custaram a Franca US$ 16,4 milhões (R$ 33,4 milhões) neste ano, enquanto que no mesmo período de 2011 as compras feitas pelo mercado local no exterior chegaram ao valor de US$ 20,8 milhões (R$ 42,4 milhões).

Dos cinco principais países que compram produtos de Franca - Estados Unidos, Japão, China, Itália e Hong Kong -, apenas as vendas para a China e Hong Kong aumentaram. Os índices foram de 77,47% e 11,41%, respectivamente. Quanto aos cinco maiores exportadores para a cidade, apenas a Alemanha ampliou as relações com as empresas francanas em relação ao primeiro semestre de 2011, com um crescimento de 13,43%. Houve queda nas importações dos outros quatro países - China, Argentina, Itália e Uruguai.

“Franca exporta muito para os Estados Unidos, China e países da Europa. Com a crise europeia, a desaceleração da economia chinesa e a recuperação lenta dos Estados Unidos, não só as exportações de Franca, mas de todo o país, estão sendo muito afetadas”, explicou o economista Hélio Braga. “Com a economia em um ritmo menor de crescimento, a demanda pelas importações diminui. É um processo automático.” Braga acrescentou que a recuperação econômica global será lenta.

Em Franca, os produtos que mais têm sofrido com as exportações em baixa são os couros secos ou acabados (decréscimo de 68,37%) e o café não torrado, não descafeinado e em grão (queda de 46,26%). Sérgio Caleiro Guimarães, gerente comercial de uma empresa de armazenagem, explica que a produção do café é bianual: um ano se produz mais e no seguinte, menos. “De maio do ano passado até abril de 2012, além de estarmos em um ano de safra pequena, houve problemas de seca, o que ocasionou uma queda mais acentuada na produção e, consequentemente, na exportação, do que em outros anos. Só a partir de maio que entramos no ano de safra grande para o café.”

Já o couro apresentou queda por ações diretas do Estado. “O governo não incentiva a exportação de algumas matérias-primas, porque acaba atrapalhando a indústria brasileira. No caso, ele dá preferência a produtos acabados, como sapatos e bolsas”, explicou a gerente de comércio exterior de uma empresa calçadista de Franca, Eliane Pessoni.

A gerente revelou ainda que deixou de exportar couro há dois anos pelas transações não estarem compensando financeiramente. Entre os mercados que recebiam o material da companhia de Pessoni estava a China.