08 de julho de 2026

O senhor é nosso pastor


| Tempo de leitura: 3 min

A Palavra de Deus nos apresentará Jesus, que se revela muito próximo e íntimo dos discípulos e se comove diante da multidão faminta e desamparada que o cerca. Como bom pastor, Jesus se compadece dos pobres, dos famintos, dos desempregados e abandonados à própria sorte. Ele é solidário com os nossos sofrimentos e guia, fortalece e defende nossa vida em meio aos reveses e sobressaltos do dia a dia. Quais os ensinamentos da Palavra de Deus para nós?

PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura (Jeremias 23) e o Evangelho evocam a figura do pastor. O profeta Jeremias faz uma acusação contundente aos pastores que traíram as esperanças do povo, especialmente ao rei Nabucodonosor, que colocou Matatias (mudando o seu nome para Sedecias, cujo nome significa “Justiça de Deus”) para impor a sua justiça contra o povo, em nome de Deus.

Os reis traíram as esperanças populares e se incompatibilizaram com Javé. O dono do rebanho é Deus; os pastores são as lideranças políticas; o rebanho é o povo que Deus confiou às lideranças para que o pastoreassem com justiça.

A tarefa dos pastores era não deixar se perder nem dispersar o rebanho, com uma administração séria e eficiente, na qual fossem preservados o direito e a justiça, como fez o rei Davi.

As lideranças foram infiéis. Pela boca de Jeremias, Javé põe nas lideranças políticas a culpa pela deportação da população de Jerusalém.

Jeremias garante ao povo que nem tudo está perdido. Deus mesmo vai cuidar de seu povo e lhe dará um pastor segundo o seu coração, um Messias que se chamará “O Senhor é nossa justiça”.

A justiça e o direito expressam a vontade de Deus. Ele vai instaurar a justiça que Javé e o povo desejam ver realizada no país.

SEGUNDA LEITURA
O autor da Carta dos Efésios fala a cristãos de origem pagã que foram batizados há pouco tempo e os convida a meditar sobre a sua nova condição: antes estavam “longe” diz-lhes mas agora “estão presentes” (Efésios 2).

De quem eles se aproximaram? Do povo que tinha recebido a promessa de todas as bênçãos de Deus. Israel sentia-se envaidecido pela sua própria escolha; mantinha-se isolado dos demais povos e tinha leis muito rígidas que impunham evitar qualquer contato com os não descendentes de Abraão.

A leitura nos ensina que Jesus derrubou todas as barreiras que separavam os homens e os reuniu num único povo.

Nós, cristãos, somos hoje no mundo as testemunhas desta unidade e desta paz entre todos os povos.

Há, é verdade, mil razões que explicam as nossas divisões: diferenças de nacionalidades, de raças, de tribos, de mentalidades e de comportamentos.

Contudo, não obstante esses obstáculos, nós devemos estar em condições de mostrar ao mundo que o amor de Cristo consegue derrubar todos os muros que nos separam.

EVANGELHO
O Evangelho de Marcos descreve duas cenas. Na primeira, aparecem os apóstolos cansados depois de muitas atividades, mas felizes e cheios de entusiasmo pelo êxito da missão e por tudo o que tinham conseguido realizar.

Retornam para junto de Jesus e dialogam sobre como tinham agido e como tinham ensinado. É uma prestação de contas e avaliação. Jesus os convida a se retirarem para um lugar sossegado, na solidão e no silêncio do deserto, a fim de refazerem suas forças e buscarem maior intimidade com o Pai, pela oração.

Em vários textos bíblicos, o deserto é o lugar onde Deus fala a seu povo. É indispensável para a missão o tempo da oração, o cultivo da relação íntima e pessoal com Deus. É Ele quem anima e dá forças para enfrentar todas as dificuldades que os apóstolos e apóstolas de todos os tempos encontrarão.

A segunda cena descreve a chegada da multidão. O povo abandonado e desprezado pelos maus governantes, maus pastores que, pela corrupção, abuso do poder, busca de interesses pessoais e total descaso pelo povo, provocaram o triste drama da miséria cada vez maior das multidões excluídas do sistema do Império Romano, que só beneficiava uma minoria de privilegiados.

Diante dessa multidão sofrida, Jesus moveu-se de compaixão, atitude característica de Deus.

Deixou-se estremecer por dentro, teve um sentimento profundo como dores de parto, escutou o gemido e suas entranhas comoveram-se, porque os pastores tinham abandonado seu povo nas mãos de estranhos e exploradores.