Até os anos de 1950, a expectativa de vida do brasileiro estava na casa dos 48 anos de idade. Com o desenvolvimento da medicina, o aumento da escolaridade, a erradicação de várias doenças e uma maior abrangência do saneamento básico em boa parte do território brasileiro foi possível elevar essa expectativa para 73 anos.
Em um período de 60 anos, o brasileiro passou a viver 25 anos a mais, em média, uma excelente performance para um país que ainda mantém inúmeros problemas políticos, sociais e econômicos.
A questão, porém, é que nem o país, nem seus cidadãos, parecem ter se preparado para esse aumento na expectativa de vida. De forma geral, parece que a única opção possível para as famílias que não têm condições de cuidar de seus idosos, ou para aqueles que acabam sozinhos, é o velho e temível asilo, um espaço que por ter sido historicamente um ‘depósito’ de velhos, tornou-se símbolo de rejeição por parte de quase toda a população.
Apesar dos asilos não serem mais o que eram antigamente, e muitos deles até apresentarem um serviço de bastante qualidade nos dias de hoje, eles deveriam ser a última opção em termos de atendimento aos idosos, voltando-se apenas para aqueles que estejam totalmente abandonados e não tenham mais condições físicas de viverem sozinhos.
De resto, existem hoje inúmeras opções que poderiam ser exploradas de forma mais inteligente tanto pelo poder público como pela iniciativa privada. Os condomínios construídos especialmente para idosos, por exemplo, como já há em algumas cidades espalhadas pelo mundo, seria uma alternativa interessante, pois minimizaria os custos de atendimento para o poder público ou permitiria à iniciativa privada um ganho maior pela prestação do serviço em escala.
A idéia do condomínio para idosos não diverge muito do seu congênere para famílias. A diferença é que nesses condomínios, além de se preservar a intimidade dos idosos, uma vez que eles ficam em suas próprias casas, existe sempre um espaço ambulatorial com profissionais preparados para quaisquer emergências.
E que não se pense que esses espaços tendem a ser construídos apenas para as classes mais abastadas. É importante não se esquecer que nos dias de hoje já existem condomínios voltados para as classes de baixa renda, claro que dentro de propostas mais econômicas e modestas, mas nem por isso menos criativas.
Mas, além desses condomínios, haveria também outras possibilidades de atendimento aos idosos, sobretudo em situações em que não se fizessem necessárias as internações, como os Centros de Convivência - que existem em pouca quantidade - ou os Centros Dia, espaços em que os idosos poderiam desenvolver atividades ou serem atendidos em suas necessidades. Basta exercitar a vontade política e a criatividade.