11 de julho de 2026

Polícia fecha operadora por suspeita de golpe do cartão


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Empresa que atuava no Centro da cidade é investigada pela polícia como autora de golpe do cartão

A Polícia Civil de Franca investiga uma empresa de telemarketing suspeita de aplicar golpes a partir de dados de cartões de crédito. Ontem, agentes da DIG (Delegacia de Investigações Gerais) apreenderam um farto material e documentos no escritório da operadora, no Centro. Listas com mais de 10 mil nomes, telefones e números de cartões de crédito foram encontradas. Seis funcionários que operavam o sistema foram detidos e levados para a delegacia. A gerente do escritório também foi levada para prestar esclarecimentos. A ocorrência de estelionato foi registrada e será investigada, mas ninguém foi preso.

Policiais da DIG chegaram até o escritório, na rua do Comércio, a partir de denúncias. Segundo o apurado pelos agentes, o local abrigava uma central de telemarketing especializada em contatos com proprietários de cartões de crédito com bandeiras de duas grandes operadoras. As investigações revelaram que, no local, funcionárias contratadas pela empresa, cuja sede fica em Bauru (SP), faziam contato telefônico e ofereciam benefícios para que os clientes recuperassem pontos supostamente expirados há mais de dois anos. “Funcionárias diziam que eles tinham 21.324 pontos e que, para reavê-los, teriam que fazer a assinatura de uma determinada revista, pagando parcelas. Depois, os pontos voltariam para os cartões e as pessoas poderiam trocá-los em eletrodomésticos em grandes redes de lojas”, disse o delegado Márcio Murari. Elas reconheceram o tipo de atividade que exerciam (leia mais nesta página).

Para a polícia, o método usado pela empresa instalada em Franca não passa de um golpe. Uma vez de posse dos dados destes cartões de crédito, os donos da operadora de telemarketing os usavam para adquirir mercadorias utilizando os dados obtidos. “O que nos leva a acreditar num golpe é que todos funcionários tinham que passar aos clientes a mesma pontuação, ou seja, 21.324 pontos”, disse o Márcio Murari, referindo-se a um formulário padrão encontrado com os funcionários e aplicado em todos os telefonemas. Seria impossível, para Murari, que todos os clientes tivessem o mesmo crédito retido.

Com mandado de busca, os agentes entraram no escritório e apreenderam pastas com centenas de nomes e contratos já realizados. Havia também listas contendo mais de 10 mil nomes - com dados privados e bancários de pessoas de várias partes do Brasil. “Para quem era contatado pelos operadores de telemarketing, eram oferecidas vantagens, bônus e brindes como GSPs, que não eram entregues. Algumas pessoas recebiam, realmente, a revista assinada, mas o restante dos brindes não. Ainda estamos no início das investigações, mas o objetivo é localizar vítimas não só de Franca, mas de todo o país”, disse Murari.