11 de julho de 2026

Jovem da Suíça escolhe Franca como destino de férias todo ano


| Tempo de leitura: 5 min
Loïc Gomes mora na Suiça, mas curte férias em Franca. Admirador do futebol, o jovem conta como é o seu país

Frio contra calor. Muita roupa contra microssaias e camisetas cavadas. São vários os pontos que diferenciam a vida e a cultura de Genebra (Suíça) e Franca, separadas por milhares de quilômetros. Alguns diriam que compará-las seria um desrespeito, mas aqui se faz necessário. Principalmente para quem adora tomar partido das discussões mais corriqueiras de um país e outro. Hoje o Se Liga conta a história de um suíço de 19 anos que passa um mês por ano aqui em Franca. “Mas o quê essa criatura faz aqui na cidade? Deve ser um traficante de chocolate perdido pelo mundo”, algum espertinho deve estar dizendo agora. Pois fique sabendo, Sr. Espertinho, que você está errado. Quer saber o motivo deste rapaz visitar as inúmeras rotatórias desta querida cidade? Confira nas próximas linhas!

Conheçam Loïc Gomes, este da foto acima. Ele é um estudante de classe média que vive em Genebra, a segunda cidade mais populosa da Suíça. Lá ele mora com sua mãe, de 53 anos. A dona Maria Machado Garcia trabalha em um clube da cidade e tem muitos parentes em Franca.

Sua rotina é atípica para um jovem da sua idade. Dedicação em período integral aos estudos e, em alguns finais de semana, aquela esquiada “básica” nos alpes suíços. “Estudamos muito lá (na Suíça). Meu dia na escola começa às 8 e termina às 17 horas. É muito puxado e o povo gosta muito de estudar. Eu, particularmente, não gosto muito, mas entendo a importância. É para o meu futuro”, diz Loïc, que recebeu o Se Liga na casa de uma tia em Franca. Com um português claro, o jovem simpático contou detalhes da sua vida e os motivos que o trouxeram para cá. Para quem ainda duvida do ensino forte no país europeu, um detalhe: o suíço além do português fala francês, inglês, alemão e italiano.

A visão sobre o real valor de estudar foi dada ao rapaz pela mãe, uma brasileira que foi para a Suíça somente com a cara e a coragem, sem saber nem falar uma simples palavra em francês, uma das quatro línguas oficiais daquela nação e a mais difundida em Genebra. Agora, com a vida acertada, ela se dedica inteiramente a seu único filho. Ele, por sua vez, luta para conseguir um estágio em um banco privado de Genebra. Mas, ele está de férias gente! Até um suíço, acostumado ao gélido inverno europeu precisa descansar. “Venho para o Brasil passar o mês de julho desde que consigo me lembrar. Boa parte da minha família está em Franca. Meus primos e minhas tias. Gosto muito daqui, sempre me divirto muito”, resume.

LIBERDADE X ORGANIZAÇÃO
Para Loïc, a principal diferença entre as duas culturas está na questão da seriedade com que cada povo encara seus compromissos. “Lá tudo é metodicamente segmentado. Cada tarefa tem que ser cumprida em determinado horário. Um simples atraso de um minuto já é motivo de espanto”, diz. “Aqui não. O povo é mais tranquilo e tudo é levado na paz”.

Outra grande diferença está, é claro, na culinária. Essa parte o jovem não hesita em apontar uma vencedora. “A brasileira é muito melhor. Nossa comida é típica do clima frio, como fondue, por evento. É gostoso, mas estufa. Já a daqui é mais gostosa, mais saborosa, tirando que tem muita carne!”, afirma. O encantamento por carne tem explicação. “Lá é muito cara. Me assusto toda vez que vejo minha tia (de Franca) fazendo aquele bife gigante todos os dias”. Ponto para os defensores do animais. Porém, quando o assunto é chocolate a história muda completamente. “O nosso chocolate, admirado em todo o mundo, é barato. Uma barra grande de um bom chocolate saí por R$ 4, mais ou menos”. Isso sem falar nos relógios. Sabe aquela verdadeira máquina suíça que seu amigo se gaba de carregar no pulso? Lá é uma coisa normal, simples como ter um cinto. Outras questões também valem destaque. Na Suíça, jogar lixo na rua rende multa. A escola em que Loïc estuda é pública e o diploma universitário não tem nem metade da importância que tem aqui no Brasil, destaca o jovem. Os passeios escolares os levam a cidades como Paris e Berlim, por exemplo. Temas como sexualidade e drogas são tratados na educação infantil. O transporte público funciona perfeitamente. Um dos principais atrativos daquele povo no verão é nadar em piscinas públicas. No inverno, as prefeituras de cidades suíças cobrem as piscinas que continuam funcionando. O salário para o estágio que Loïc quer é de cerca de R$ 7 mil (porém o custo de vida na Suíça é um dos mais caros do planeta). Andar sem camisa pelas ruas da cidade é visto com muita estranheza e por aí segue o abismo de diferenças que separa Franca de Genebra, por exemplo.

DNA BRASILEIRO
Mas nem tudo são flores. O rapaz sofre com um problema corriqueiro nas nações europeias. A intolerância com povos provenientes dos países subdesenvolvidos. “Mas, ele não é suíço”. Sim, porém o simples fato de ser filho de uma brasileira é motivo para chacotas. “Escuto muito. O pior caso foi quando um professor chegou na nossa classe e disse: ‘A partir de agora vocês irão deixar de ser simples vermes’. Esse professor falou isso para uma classe que não tinha um suíço puro sequer. Nós tentamos conversar e discutir, mas não adianta”, relata.

Outra forte “consequência” é a paixão pelo futebol. “Sou corintiano e acompanho tudo pela internet ou até mesmo pela televisão. Também tenho o sonho de ser jogador profissional de futebol. Mas aí minha mãe não gosta muito desta ideia”, conta. “Ela não vai gostar nada disso quando ver esta parte na internet, mas fazer o quê. É a verdade”.

O jovem está na metade de sua estada por Franca. Fica por aqui até o fim de julho quando volta para casa.