Agradecidos por tudo que Deus nos concedeu nesta semana, iniciamos novo tempo para louvar, bendizer, agradecer e pedir que seu coração bondoso nos fortaleça sempre
A Palavra de Deus proclamada hoje nos convida a continuar a missão de Jesus. Ele nos chama e nos envia para junto das pessoas que necessitam de saúde, de paz, de conforto e de um sentido para a vida! Quais as mensagens que Deus reserva para a nossa vida? Vejamos:
PRIMEIRA LEITURA
A primeira leitura (Profeta Amós 7).descreve o sentido da vocação e a coragem do profeta Amós. Amós, o primeiro “profeta escritor”, exerceu sua atividade profética em torno do ano 760 a.C., no tempo em que Jeroboão II reinava em Israel. Esse período se caracteriza pelo expansionismo das conquistas do rei e pelo crescente abismo que divide a sociedade entre ricos e pobres: ricos cada vez mais ricos às custas de pobres cada vez mais pobres.
É essa situação complexa que Amós encontra. Ele era do sul, mas fora mandado profetizar no norte. O texto de hoje o situa em Betel, “santuário do rei”, com sacerdotes e profetas financiados pela corte. Em troca, ofereciam ao rei uma “teologia e culto de sustentação” do aparato opressor. Amós se apresenta em Betel decretando a morte do rei Jeroboão II. Amasias, o sacerdote, ao saber disso, acusa Amós de conspiração contra o Estado. Ele é expulso de Betel: “Vidente, vá embora e procure refúgio na Judeía; ganhe lá seu pão e exerça lá a sua função de profeta. Amasias, ao expulsar o profeta, confunde-o com um membro das corporações proféticas mantidas pelo Estado (“ganhe lá seu pão”).
A resposta de Amós resume a vocação e missão proféticas: ele não era profeta, nem discípulos de profeta, isto é, não pertencia a uma corporação (não se trata de profetismo “hereditário”). Tinha uma profissão da qual vivia: era vaqueiro e colhedor de figos selvagens. Sua vocação nasce de Deus, que o tirou de junto do rebanho. Sua missão é dirigida ao povo de Israel e em sua defesa, e não em defesa dos interesses dos poderosos.
A missão do profeta provoca mudanças e rupturas radicais na sociedade. Deus garante que o povo lhe pertence e ninguém poderá, ainda que em nome da própria religião, manipulá-lo e oprimi-lo.
Essa tomada de consciência fará com que Amós não tema os poderosos, ainda que se auto-afirmem “de corpo inteiro” pessoas “religiosas”, mas cuja prática demonstra estarem esmagando a herança de Deus!
SEGUNDA LEITURA
O hino de Ef 1,3-14 é uma das grandes páginas do Novo Testamento. O hino é um louvor a Deus pelo que realizou nas pessoas por meio do Cristo. O texto bendiz (reconhece) que Deus é ação misericordiosa na história, beneficiando não a si próprio, mas às pessoas do mundo inteiro, quer judeus, quer pagãos.
As pessoas, por sua vez, são beneficiárias da graça de Deus. Basta olhar o que acontece com elas, graças ao projeto de Deus e à ação do Cristo em nosso favor: nós nos tornamos herdeiros, fomos predestinados, e nos tornamos o louvor de sua glória, nós que esperávamos em Cristo. O hino, pois, louva a Deus pela nova aliança realizada em Cristo, superando as barreiras de raça que condicionavam a antiga aliança. Tudo isso aconteceu a partir da pessoa do Cristo. É por ele e por causa dele que o Pai age em nosso favor, realizando seu projeto de vida para todos, projeto que se prolonga, mediante a ação do Espírito, na comunidade dos que crêem.
EVANGELHO
O Evangelho de Marcos (Marcos 6) foi, provavelmente, o primeiro catecismo de iniciação cristã. Em contato com esse evangelho, as pessoas vão descobrindo quem é Jesus e o que é ser cristão. O texto de hoje se situa logo após a rejeição de Jesus em sua terra, Nazaré. Jesus chama os doze e começa a enviá-los dois a dois, dando-lhes poder sobre os espíritos maus. Temos aqui a junção, da vocação com a missão dos discípulos. Sua missão é a mesma de Jesus: desativar e destruir os mecanismos que geram morte, dependência e opressão, mostrando assim a novidade do Reino.
Ser cristão é estar a caminho, assumindo algumas condições básicas. Elas não são o conteúdo da missa, mas formas de realizá-la com sucesso. As exigências podem ser sintetizadas assim: Estar preparados para longa e difícil jornada. Desimpedir-se de todo supérfluo. Contentar-se com a hospitalidade oferecida.
Como aconteceu com Jesus, também os discípulos e o Evangelho encontrarão resistências: má acolhida em relação aos discípulos e indiferenças diante do anúncio. A ordem que Jesus lhes dá é de sacudir a poeira dos pés ao sair desse lugar. Era um gesto simbólico dos israelitas que, ao ingressar de novo no próprio país, depois de terem estado em terra pagã, não queriam ter nada em comum com o modo de vida dos pagãos.
Os doze partem e começam e pregar. O conteúdo da pregação é idêntico ao de Jesus: “Convertam-se e creiam no evangelho. A missão dos discípulos ( e dos cristãos) em nada difere da de Jesus: todos anunciam a mudança radical no modo de viver, sintetizada na palavra conversão; todos têm a comum tarefa e poder de libertar as pessoas de tudo o que é opressão e marginalização, simbolizadas pela expulsão de demônios; todos têm como objetivo restaurar as pessoas, a fim de que tenham vida.
José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br