08 de julho de 2026

Francano já consome mais Vinho


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MERCADO - A médica Sandra Toledo, de Ibiraci, escolhe vinhos no supermercado Savegnago de Franca; ela diz que está substituindo cada vez mais a cerveja pelo vinho e que prefere os tintos chilenos

O vinho foi o destaque do setor de supermercados no ano passado, com um aumento de 34,9% nas vendas em relação a 2010, segundo pesquisa feita pela Nielsen para a Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Em Franca, como na maioria das cidades brasileiras (leia texto na página seguinte), o consumo da bebida tem registrado sucessivos aumentos. A rede de supermercados Savegnago, por exemplo, vendeu, no ano passado, cerca de 470 mil garrafas em suas unidades na região, um crescimento de 41,3% em relação a 2010, significando um faturamento em torno R$ 5 milhões.

Em função dessa evolução, a rede realiza há dois anos a Expovinho, uma exposição que termina hoje e coloca à disposição dos clientes uma série de ofertas especiais de produtos vindos de diferentes países, com degustações gratuitas nas próprias lojas.

De acordo com o gerente de trade-marketing da rede, Valdir Ribeiro, já faz alguns anos que o Savegnago vem trabalhando para aperfeiçoar sua venda de vinhos, buscando formar atendentes especializados e criando eventos para difundir o conhecimento sobre o vinho e aumentar o interesse do brasileiro por essa bebida. E a estratégia tem dado bons resultados.

“Em Franca, especificamente, experimentamos um aumento em torno de 40% nas vendas de vinho em 2011. Para este ano, estamos esperando um crescimento ainda maior”, garante.

Esse crescimento, segundo Valdir, ainda concentra-se principalmente no setor de vinhos mais populares, os vinhos de mesa suaves, confirmando dados do Ibravin (Instituto Brasileiro do Vinho), que mostram a prevalência desse tipo de vinho em todo o país. Das 402 milhões de garrafas comercializadas no país em 2011, apenas 132 milhões foram de vinhos finos (brancos, tintos e espumantes), sendo 35 milhões de brasileiros e 97 milhões de importados. As outras 270 milhões foram de vinho de mesa, o que representa 67% do mercado brasileiro.

Porém, ainda de acordo com Valdir, hoje em dia a venda de vinhos finos já é bastante perceptível também no Savegnago. “Os bons vinhos nacionais, argentinos e chilenos, com preços acessíveis e boa qualidade, estão saindo cada vez mais”, conclui Valdir.

FRISANTE
Na Frilar, loja especializada em frios, massas nobres, castanhas e vinhos, as vendas de vinho aumentaram em torno de 10% no último ano, mas ainda com uma relativa influência do inverno. A predominância nas vendas fica com o frisante Lambrusco para mulheres e com os tintos chilenos para os homens.

“Nossos clientes parecem não se importar mais com o preço. E têm aprimorado o paladar. Antes eles compravam na faixa de R$ 20, mais ou menos. Hoje já pagam até R$ 30 sem reclamar”, diz o proprietário, José Luis Neves.

Na rede Irmãos Patrocínio, uma empresa com 8 lojas na cidade, a história se repete. O foco da rede são os vinhos populares, aqueles que custam em torno de R$ 10 a garrafa. Segundo o supervisor de compras, Anderson Marcham, a venda desses vinhos apresentou um crescimento de cerca de 10% no último ano, atingindo mais de 3 mil garrafas por mês.

“O que mais vendemos aqui são os tintos suaves das marcas Mioranza, Canção, Chapinha e Chalise. No verão, os brancos suaves também crescem em vendas, mas não alcançam os tintos”, diz.

Já na loja de conveniência do Galo Branco, que tem vinhos húngaros, libaneses e de vários outros países, com variados tipos de uvas, as vendas aumentaram 59% de 2010 para 2011. De acordo com a consultora Fernanda Barbosa, esse aumento se deve principalmente aos cursos e eventos por ela organizados, mas também à Confraria (leia texto nesta página) de bebedores de vinho do próprio posto.

CONSUMIDORES
A médica Sandra Toledo é uma das pessoas que vem contribuindo para o aumento do consumo de vinho em Franca. Residente em Ibiraci, ela faz regularmente suas compras em Franca, principalmente de vinhos, um produto que ela não encontra tão facilmente em sua cidade.

Nos últimos anos, ela diz que vem substituindo cada vez mais a cerveja pelo vinho, de preferência os tintos chilenos, sobretudo da uva Cabernet Sauvignon, que, em sua opinião, conseguem unir um preço justo a uma boa qualidade.

O casal de cabeleireiros Clésio Gomes e Fátima Machado também é apreciador de vinho. Eles dizem, no entanto, que esse consumo poderia ser ainda maior se os preços fossem mais em conta.

“Nós não abrimos mão de uma champagne em determinados momentos, nem de um vinho quando queremos, mas poderíamos consumir bem mais se essas bebidas fossem mais baratas”, afirma Clésio.

O advogado e comerciante Valdir Meleti concorda. Amante de vinho há muito tempo, ele também aumentou seu consumo em substituição a outras bebidas.

“Hoje eu realmente tomo mais vinho. Mas, de qualquer forma, o preço influencia. Se ele fosse mais barato, creio que tomaria muito mais.”