08 de julho de 2026

Brasileiro consome 2 litros/ano


| Tempo de leitura: 3 min

O consumo per capita de vinho na Europa, mais especificamente na França, Itália e Portugal é de cerca de 45 litros por ano. No Brasil, esse índice fica em torno de 2 litros, segundo o Wine Institute, uma associação que representa os produtores da Califórnia.

Mas, nos últimos anos, segundo pesquisas da OIV (Organização Internacional da Vinha e do Vinho), com sede na França, o consumo na Europa, apesar de ainda ser alto, vem caindo paulatinamente. Em sentido contrário, verifica-se um aumento do consumo em países como o Brasil.

Estatísticas da União Brasileira de Vitivinicultura, com base em números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), mostram um crescimento acentuado do consumo de vinho importado. Em 2005, foram 21,9 milhões de litros de vinhos nacionais e 37,5 milhões de litros dos importados. No ano passado, a estatística apontou o consumo de 19,5 milhões de litros do vinho nacional e pouco mais de 72 milhões de litros dos importados.

Para Fernanda Barbosa, consultora de vinhos, a explicação para esse crescimento está, sobretudo, na mudança de comportamento de parte da população brasileira, atualmente mais atenta ao que há de melhor no mundo globalizado. De acordo com ela, o problema desse baixo consumo de vinho entre os brasileiros até hoje se deve mais a questões culturais do que a qualquer outra coisa.

“Beber vinho requer certo aprendizado. É como apreciar obra de arte. Se você conhecer melhor o processo, a história e as variações você ficará mais satisfeito em apreciar e começará a tomar gosto pela coisa. E isso está só começando a crescer em nosso país”, afirma Fernanda.

Mesmo com outro argumento, Márcio Esteves, professor, consultor e especialista em gastronomia e enologia de Ribeirão Preto, também concorda com essa tese. Para ele, o que tem travado o consumo de vinho no Brasil é a histórica falta de conhecimento de nossa população em relação às potencialidades da bebida, ou seja, um problema cultural, e não de clima ou de preço.

“O brasileiro não sabe beber vinho. Está começando a aprender, mas devagar. Ele não sabe que o vinho é uma bebida versátil, que se adequa a várias temperaturas, ocasiões e tipos de comida. Um vinho branco corretamente gelado, na beira de uma piscina, por exemplo, é uma excelente opção”, garante Márcio.

VINHO JOVEM
Aliado a essa mudança de postura do brasileiro, o professor Fernando Dagoberto, coordenador do curso de Gastronomia da Unifran e especialista em enologia, aponta também o próprio desenvolvimento tecnológico da vitivinicultura (cultivo das uvas e fabricação do vinho) como fundamental para o aumento do consumo no Brasil.

“Hoje a indústria produz vinhos jovens e de boa qualidade. Não há mais necessidade de esperar um longo tempo para se conseguir um bom vinho. Isso barateia todo o processo e permite uma produção em escala, facilitando o acesso ao produto”, afirma Dagoberto.

Segundo ele, esses “vinhos jovens” (que podem ser consumidos rapidamente), baratos e de boa qualidade foram fundamentais para que o brasileiro médio pudesse escapar daqueles vinhos populares de mesa que, apesar de ainda serem os mais vendidos no Brasil, não apresentam qualidade suficiente para fazer com que boa parte da população deixe de lado a cerveja e opte pelo vinho.