Banho de caneca e jantar a luz de vela ou lampião têm se tornado rotina para os moradores do condomínio de chácaras Recanto Aprazível na Rodovia Nelson Nogueira, entre Franca e Ribeirão Corrente. O motivo são as constantes quedas de energia que ocorrem no local e demoram para serem restabelecidas. Somente entre quinta-feira e ontem, as 20 famílias da região ficaram 16 horas diretas sem energia elétrica, após a forte pancada de chuva que atingiu a região.
A interrupção ocorreu às 16 horas de quinta-feira, quando a ventania anunciava o temporal. O serviço só retornou ontem às 8 horas. Segundo os moradores, a previsão da CPFL Paulista era que a energia seria religada às 23 horas, mas o prazo não foi cumprido.
Para o morador Ricardo Garcia Gomes, o problema é antigo e não consegue ser solucionado pela empresa prestadora do serviço. Ele também reclamou do alto valor da conta e de nunca ter sido ressarcido dos prejuízos. Gomes trabalha com verduras e ontem precisou fazer toda a lavagem das folhas com o auxílio de uma lanterna. “É um transtorno quando isso acontece. Temos sempre que recorrer à lanterna, vela ou mesmo lampião para não ficar no escuro.”
O vizinho Pedro Vieira de Souza disse que precisou esquentar a água para tomar banho e cansou de esperar por uma resposta da CPFL. Segundo ele as ligações acabam sendo em vão já que o problema não é resolvido. A família de Pedro, que está com visita por causa das férias, também teve que contar com o auxílio de velas para iluminar a casa.
Acostumada com as sucessivas quedas de energia, a pespontadeira Maria Ramos Azevedo de Oliveira chegou a desligar o freezer da família para evitar prejuízos. Em outra ocasião, a moradora perdeu carnes e precisou distribuir um bolo de aniversário antes do horário da festa. “Nunca conseguimos uma resposta, então não posso ficar sujeita a esse risco. Como meu fogão é elétrico, ontem (anteontem) precisei comprar um lanche no lugar da janta.”
No sítio vizinho, o proprietário Sérgio Milani calcula que perderá quase 400 litros de leite reservados em um tanque. O recipiente ficou desligado o dobro do tempo permitido e poderá causar ao sitiante um prejuízo de R$ 300. “O leite tem que ficar no tanque a 3,9 graus, mas como faltou energia a temperatura subiu para 15 graus. O caminhão vem recolher o leite neste sábado e tem o perigo de não ser aceito.” Se o leite for descartado, o destino será o ralo ou no máximo comida para os porcos. “Nem para queijo serve, pois o leite fica amargo.”