Além da lesão física, as vítimas de violência doméstica são mais suscetíveis ao desenvolvimento de problemas psicológicos. É o que afirma Kenia Peres, psicóloga e docente do curso de Psicologia da Unifran. “Essas mulheres apresentam maior incidência de síndrome do estresse pós-traumático, síndrome do pânico, depressão, transtornos alimentares e alcoolismo.”
Kenia também explica que a violência doméstica não se restringe somente a episódios em que o parceiro agride fisicamente a mulher. “Há também a violência psicológica, que ocorre quando a mulher é vítima de agressões verbais frequentes, tem seus pertences destruídos ou é submetida a ameaças e gritos como meios de resolver conflitos.”
Em todos os casos, é recomendado que a vítima, e até os agressores, procurem atendimento psicológico. Mas não é exatamente isso que acontece na prática. “Esses episódios são muitas vezes vistos como ‘mero incidente doméstico’, nos quais se aplicam ditados como ‘em briga de marido e mulher não se mete a colher’. Essa visão ‘cultural’ da violência doméstica muitas vezes obriga a mulher a conviver com o perigo e sonega, principalmente às vítimas que pertencem às camadas sociais mais baixas, o acesso a instâncias e mecanismos de mediação que possam assessorá-las adequadamente (médicos, psicólogos, assistentes sociais, psiquiatras)”, afirma Kenia.
O curso de Psicologia da Unifran oferece atendimento gratuito à comunidade e está com inscrições abertas para triagem de pacientes. Os interessados devem ligar para o telefone 0800 34 1212.