O Santana envolvido no acidente com o caminhão na noite de domingo, 8, era ocupado por seis passageiros. Quatro deles morreram na hora, sem chance de serem socorridos. Na tragédia, duas vítimas eram irmãs - Maria Henrique da Silva, 53, e Luzia da Silva Cândido, 49 - e dois irmãos -Paulo Barboza, 64, e Divino Barboza, 67, que também eram irmãos de Romildo Barboza Maciel, 51, que dirigia o carro.
Maria da Silva morava em Franca, no Residencial Moreira Júnior, com o filho Bruno, 28. Na sexta-feira ela viajou para Guará e passou o fim de semana na casa da irmã, a auxiliar de limpeza desempregada Luzia Cândido que residia naquela cidade. Maria estava feliz porque havia começado a trabalhar como costureira numa fábrica de roupas de Franca na quarta-feira passada, 4, e retornou para a cidade no domingo porque trabalharia ontem. Mas a viagem foi interrompida de maneira trágica.
Maria conseguiu carona para voltar para Franca. Ela foi namorada de Divino Barboza, que estava em Guará com os irmãos Romildo e Paulo Barboza visitando outro irmão deles, Noel Barboza. No retorno para casa, a irmã dela, Luzia, resolveu viajar junto e, quando chegasse em Franca, se encontraria com a filha e o genro para voltarem para Guará. Luzia trouxe a enteada do filho dela, Leandra, de 7 anos, que permanece internada na Santa Casa de Franca. “No dia do acidente, minha irmã não estava conseguindo falar com minha mãe (Luzia) no celular dela. Aí liguei no celular da minha tia (Maria) e uma mulher da Santa Casa de Guará atendeu e pediu para ir até o hospital e contou do acidente”, disse o motorista administrativo Anderson da Silva Cândido, 30, filho de Luzia e padrasto da criança. “Minha enteada morava com a gente e considerava minha mãe a avó dela.”
FAMÍLIA BARBOZA
Divino Barboza era pedreiro aposentado e morava no Jardim Vera Cruz, em Franca. O sapateiro aposentado José Manoel dos Santos, amigo dele há 12 anos, ficou abalado com o acidente. “Sou bem forte e já perdi parentes em acidentes, mas a pancada é muito grande quando a gente recebe uma notícia dessas. Minha mulher considera ele como um pai, porque ele não saía lá de casa”, disse, emocionado.
Manoel disse que recebeu o amigo Divino em sua casa na quinta-feira passada e ele avisou que teria rompido com Maria porque “acharam que a relação não iria mais dar certo”, mas Maria aceitou a carona dele para voltar de Guará para Franca no domingo. “O Divino foi para Guará com os irmãos Paulo e Romildo para visitar os parentes. Eles foram no domingo mesmo, passaram o dia e voltavam no fim da tarde quando aconteceu tudo. O carro era do Divino, fazia pouco tempo que tinha comprado, mas o Romildo era quem estava dirigindo.” Divino deixou duas filhas, Mônica e Simone, moradoras de Franca.
O irmão dele, Paulo Barboza, morava em Cristais Paulista com Romildo, que dirigia o Santana e permanece internado em estado grave no Hospital de Ituverava. Paulo havia acabado de se aposentar e queria aproveitar o tempo mais livre para viajar. Estava com uma viagem marcada para Ubatuba. “Ele iria conhecer a praia. Mesmo com 64 anos, ele nunca tinha ido”, disse Noel, irmão deles.
Divino foi o único a ser velado (no velório do Leporace) e enterrado em Franca no Cemitério Parque Jardim das Oliveiras. O irmão dele Paulo foi velado e sepultado em Guará. Luzia também foi sepultada em Guará e Maria, depois do velório nesta cidade, foi enterrada em Orlândia.