10 de julho de 2026

SUS gasta R$ 2,2 milhões com acidentados no trânsito de Franca


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Jeferson Soares Fonseca, que sofreu acidente de moto há quase um ano, faz fisioterapia na Santa Casa

Com uma frota cada vez mais inchada - passou a barreira dos 200 mil veículos - e um número expressivo de acidentes todos os meses, o trânsito de Franca não tem elevado gastos apenas com planejamento e infraestrutura. Para pagar o atendimento a acidentados em Franca o SUS (Sistema Único de Saúde) desembolsou no ano passado R$ 2,2 milhões. O valor é 9% maior em relação a 2010 e, pelos registros feitos de janeiro a maio, neste ano a conta não melhora. Em cinco meses, o custo com internações por acidentes já chegou a R$ 930 mil.

A alta nos gastos acompanha o crescimento das internações. Há dois anos foram internados 1.612 acidentados. No ano passado, houve 1.748 internações. Os dados foram levantados pela Secretaria Municipal de Saúde, que desenvolve no município um Projeto de Redução da Morbidade por acidente de trânsito. O projeto está em fase de implantação (leia texto nesta página).

Para os especialistas em trânsito, a imprudência é uma das principais causas dos acidentes e, segundo atestam os números, a maioria das vítimas tem entre 20 e 29 anos. Relatório da Secretaria de Saúde aponta que em 2011 foram internados 172 jovens nesta faixa etária. Os adultos entre 30 e 39 anos apareceram em seguida, com 89 internações.

“Temos que andar respeitando as leis de trânsito. É preciso ter mais educação e cuidado para dirigir em uma cidade em desenvolvimento. A velocidade limite em Franca é de 60 quilômetros por hora e as pessoas não respeitam”, disse o secretário de Segurança e Cidadania, Sérgio Buranelli.

O levantamento do município não especifica o tipo de acidente que mais acarretou internações mas, a contar pelo movimento no Centro de Reabilitação da Santa Casa, os choques envolvendo motociclistas lideram as estatísticas.

“A medida que cresce o número de veículos, principalmente motos, a proporção de acidentes também aumenta. Percebemos que têm chegado cada vez mais acidentados. A maioria jovens, do sexo masculino e vítimas de acidentes com motos”, disse o fisioterapeuta Luis Eduardo Faleiros.

O profissional falou ainda que os membros superiores e inferiores são os mais atingidos e que a reabilitação do paciente, dependendo da gravidade, pode levar meses. “As pernas são mais atingidas por serem membros maiores e mais pesados.” No Centro de Reabilitação, 20% das das 6 mil sessões realizadas mensalmente são de acidentados no trânsito. Além da reabilitação motora, o Centro também trabalha a recuperação respiratória e neurológica.

“Muitos chegam aqui de maca, cadeira de rodas, muleta ou andador e o nosso trabalho é tentar reabilitar o mais próximo da condição normal possível, mas em alguns casos as sequelas são inevitáveis.”