Até alguns meses atrás, quando questionado sobre os desrespeitos cometidos pelo governo paraguaio contra brasileiros ali residentes, o governo brasileiro apenas respondia que não se envolvia em questões de soberania do país vizinho
Agora, após o impeachment do ex-presidente Fernando Lugo, nossos governantes não mais respeitam a soberania daquele país, num posicionamento contraditório difícil de ser explicado, principalmente para nós analistas, mas, que talvez para alguns cidadãos leigos em política, possa ser aceita através de discurso sem nenhuma fundamentação. Enquanto nossa política externa afaga ditadores mundo afora, agora atira pedras contra o governo paraguaio. É esta postura dúbia da política externa brasileira que deixa a comunidade internacional sempre, podemos dizer, “com o pé atrás” em relação às verdadeiras intenções brasileiras no cenário político internacional.
Nos últimos anos o governo brasileiro manifestou apoio a Rafael Correa, no Equador, que com seu estilo autoritário, protagoniza inúmeras violações aos direitos humanos e atenta contra princípios democráticos e a liberdade de imprensa; ao iraniano Ahmadinejad, que conta com o Brasil na vanguarda de apoio ao regime implantado no país; o governo brasileiro nunca censurou explicitamente o governo na Líbia do falecido Kadafi; Evo Morales, da Bolívia, constantemente recebe “afagos” do governo brasileiro. Morales dilapidou o patrimônio público brasileiro (Petrobras), legaliza em seu território os automóveis roubados no Brasil, produz a maior parte da cocaína que circula em nosso país, dentre outros desmandos; as relações com Cuba e os irmãos Castro estão consolidadas com o governo brasileiro de longa data e dispensa comentários; as aberrações políticas cometidas por Hugo Chávez jamais foram criticadas por nossas autoridades. O Brasil nos últimos anos estreitou laços com várias ditaduras mundo afora, dentre elas podemos citar Angola, Arábia Saudita, Burkina Faso, Cazaquistão, China, Congo-Brazzaville, Cuba, Egito, Gabão, Guiné Equatorial, Irã, Líbia, Síria, Qatar e Vietnã. A maioria dos países anteriormente citados sempre é agraciada através de obras financiadas pelo BNDES, ou seja, com dinheiro do povo brasileiro, dinheiro que deveria estar sendo utilizado para o desenvolvimento econômico e social dos cidadãos brasileiros que vivem sérias dificuldades sociais.
Enfim, a política externa brasileira esquece-se de dar apoio aos brasileiros desrespeitados mundo afora e apoia governos que deveriam ser melhores avaliados por suas atitudes antidemocráticas, e, agora, quando um dos seus parceiros é afastado no Paraguai, que com base em sua Constituição decidiu sobre o próprio destino, o governo brasileiro tenta interferir sobre a decisão soberana tomada pelos representantes dos cidadãos paraguaios no parlamento, em ato totalmente contraditório. Esperamos que, no mínimo, nossas autoridades fundamentem seus posicionamentos e se expliquem no Congresso Nacional.
MORTES NO TRÂNSITO
Todos nós ficamos perplexos diariamente ao tomarmos conhecimento, através da mídia, de mortes ocorridas em razão de acidentes de trânsito. O Ministério da Saúde divulgou dados onde mais da metade do dinheiro do SUS - Sistema Único de Saúde é utilizado para atender vítimas de acidentes de trânsito com motocicletas, sendo que entre os anos de 2008 a 2011 o número de internações de motociclistas aumentou mais de 95%. Dados alarmantes que independentemente do momento político obrigam nossas autoridades a tomarem imediatas medidas para conter o avanço de tais índices. Por que não impor medidas já adotadas em outros países? Medidas polêmicas, mas que geram resultados na redução de acidentes e igualmente na utilização das motos para a criminalidade. Bem, mas isto é assunto para um longo artigo.
A IMPORTÂNCIA DO VOTO CONSCIENTE
“O único meio de salvar e engrandecer o Brasil, é tratar de colocá-lo em condições de poder ele tirar de si mesmo, quero dizer, do seio de sua história, a direção que lhe convém. O destino de um povo, como o destino de um indivíduo, não se muda, nem se deixa acomodar ao capricho e ignorância daqueles que pretendem dirigi-lo.” (Tobias Barreto, Questões vigentes, V. p. 178, em OBRAS, vol. IX, Sergipe, 1926”. Com o início do período de campanha eleitoral, este ano terá, conforme dados do TSE, aproximadamente 15 mil candidatos a prefeito e 350 mil a vereador. Indiscutivelmente é um grande espetáculo da cidadania, uma operação gigantesca, envolvendo partidos políticos, candidatos, cabos eleitorais, advogados, juízes, jornalistas, publicitários, empresários, mesários, voluntários e o personagem principal: o eleitor, ao qual cabe fazer uma escolha fundamentada em elementos que indiquem a capacidade do candidato de atender as expectativas e as carências da sua cidade. Que não escolha candidatos que se submetem e se vendem, por exemplo, hipotético, a simples liberações de “caminhões de terra” obedecendo a ordens do Executivo sem ao menos discutir o interesse público de algumas medidas arbitrárias. Esperamos que a descrença nos políticos não influencie o processo democrático, pois é o momento perfeito e adequado para modificar, renovar e extirpar dos meio representativos políticos quem não respeita os votos de confiança depositados em seu nome.
CONCURSOS NAS FORÇAS ARMADAS
Na última quinta-feira o Plenário do Senado aprovou dois projetos de lei propostos pela presidente da República que estabelecem requisitos para ingresso nas carreiras da Marinha e do Exército. Está de parabéns a presidente Dilma, pois sempre foram controvertidos os requisitos disciplinados pelos regulamentos das Forças Armadas, pois, por vezes desrespeitavam os direitos constitucionais individuais. O ponto principal modificado diz respeito aos limites de idades para matrículas nos concursos que agora passaram a ser definidos por lei (critério objetivo) e não mais por regulamentos internos de caráter subjetivo.
Toninho Menezes
Advogado, administrador de empresas, professor universitário - toninhomenezes@comerciodafranca.com.br