08 de julho de 2026

Apenas uma ilusão


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A maioria das pessoas acredita que um bom investimento é aquele que se consegue uma elevada rentabilidade. Esta crença seria verdadeira se o preço dos bens e serviços não subisse ao longo dos anos, ou seja, não existisse inflação. Quando descontamos a rentabilidade de um investimento pela inflação do período podemos apurar se ganhamos, perdemos ou simplesmente nosso poder de compra foi mantido. Este deveria ser o objetivo principal de qualquer investimento, aumentar o poder de compra do investidor.

Mas apesar de ser um conceito simples e óbvio, a maioria do público tende a pensar em termos nominais, sem descontar a inflação. O mesmo ocorre com a mídia que na maioria das vezes notícia os retornos dos investimentos em termos nominais. A razão se deve ao fato de julgarem tais ajustes complexos e pouco apreciados pelos leitores e telespectadores.

A análise do retorno de um investimento em termos nominais é tão segura quanto um voo às cegas. Não há como tomar qualquer decisão racional sem conhecer o retorno real. Imagine uma pessoa com elevado grau de miopia que insiste em não utilizar um óculo adequado, assim são as pessoas lidando com seus investimentos no dia a dia. Muitas vezes extraordinários movimentos nos preços de ativos que são divulgados na mídia simplesmente não aconteceram quando consideramos a inflação.

A diferença entre o retorno nominal e real dos investimentos ao longo dos anos é significativa, mesmo num cenário de inflação controlada, desde a implementação do Plano Real. O índice de ações Ibovespa desde 95 tem rendido em média de 16% ao ano em termos anuais, mas quando descontamos a inflação do período (utilizando como inflação o IPCA) o resultado cai pela metade, cerca de 8% ao ano.

Outro exemplo que salta aos olhos é referente à valorização dos imóveis comerciais, mensurado pelo índice geral do mercado imobiliário (IGMI-C), que desde 2000 rendeu um valor de 8,93% ao ano, porém em termos reais o resultado é de apenas 2,27% ao ano. A valorização expressiva dos últimos anos apenas recuperou terreno frente à inflação acumulada, um cenário bem diferente do pregado por muitos analistas e a mídia em geral que até falam na existência de uma bolha imobiliária.

Richard Rytenband
Economista pela PUC-SP e especialista em investimentos pela FGV