Cerca de 70 pessoas ocuparam o Terminal “Ayrton Senna” na tarde de ontem para protestar contra o aumento da tarifa de ônibus da empresa São José. O novo valor da passagem, de R$ 2,80, passou a valer desde a última terça-feira. Estudantes, representantes de partidos políticos e outros grupos de esquerda organizaram o movimento. Durante a manifestação, os participantes fizeram corrente em frente aos ônibus estacionados no terminal e fecharam o trânsito das ruas Ouvidor Freire e General Telles, provocando congestionamento nos arredores do terminal. O movimento, no entanto, foi pacífico, não havendo necessidade de a Polícia Militar intervir no protesto.
Os manifestantes carregavam faixas e cartazes com dizeres como “R$ 2,80 é roubo”, “Fora São José”, “Transporte é direito, não mercadoria”. Eles também entoaram gritos de guerra como “Mãos ao alto, essa passagem é um assalto” e “Quem não pula quer tarifa” (pulando enquanto cantavam).
Alguns usuários que esperavam ônibus no terminal aderiram à manifestação. É o caso da auxiliar de serviços gerais Valda Leão da Silva, que gasta diariamente duas passagens para o trajeto entre a casa e o trabalho. “Acho essa tarifa um absurdo. Além disso, não avisam com antecedência. Uma semana só, não dá tempo nem de fazer as contas. O preço é muito alto para o tamanho da cidade. O protesto é muito bom, mas o pessoal precisa se conscientizar mais. Se ninguém aderir, como faz?”
O professor de sociologia Jorge Luis Requel, um dos organizadores do protesto, afirmou que o objetivo é mostrar à população que as ações coletivas têm força própria. “Queremos combater os abusos e as arbitrariedades que o poder público, junto com a empresa São José, tem cometido contra a população com aumentos excessivos. A tarifa de ônibus de Franca é uma das mais caras do Brasil. A partir do momento em que toda essa simpatia pelo movimento se reverter em ações práticas, esse aumento vai cair e poderemos conseguir melhorias para o transporte público em Franca.”
Para a Polícia Militar, a manifestação foi pacífica. “O pessoal se reuniu e fechou algumas ruas somente para a conscientização da população. Não houve qualquer embate ou dano. Fecharam as vias, mas deixaram as alças de acesso livres. Foi tudo tranquilo. Nós estávamos aqui para garantir a ordem pública e o direito deles de protestarem e dos usuários do ônibus poderem ir para a casa descansar. Não houve nenhuma necessidade de intervenção”, disse o coordenador operacional da PM, major Trevisan.