O sinal de alerta está ligado. O consumo de drogas em nossa cidade cresceu, a despeito de esforços que foram empreendidos por autoridades ou do trabalho que a polícia vem desenvolvendo ultimamente, desmantelando quadrilhas, prendendo pessoas e tirando de circulação vários quilos de entorpecentes.
Segundo dados divulgados pelo Conselho Tutelar, nos quatro primeiros meses desse ano o número de atendimentos a usuários de drogas aumentou em 27% comparativamente ao mesmo período do ano passado.
O que estaria acontecendo? Por que as campanhas de conscientização não estão funcionando? E por que as ações mais incisivas da política não têm inibido o tráfico e seus agentes, nem tampouco a produção que parece crescer cada vez mais?
As respostas obviamente não são simples. De certa forma, é possível afirmar que a indústria das drogas segue de perto os ditames do capitalismo. Se o mercado cresce, aumenta-se a produção e, consequentemente, a oferta. Essa situação leva a um aprimoramento da distribuição, o que lhe permite invadir até os mais longínquos rincões desse país.
Nesse sentido, é preciso entender porque o mercado está crescendo. Por que os jovens estão enfrentando ainda mais a polícia, ignorando as informações que têm, destruindo suas famílias e arriscando-se em um caminho muitas vezes sem volta?
A priori, merece uma análise a questão dos valores que permeiam a sociedade. A julgar pela intensidade e pelo tipo de consumo, pelos formatos das baladas que atraem cada vez mais nossos jovens e também pelo comportamento cada vez mais egoísta de todos os cidadãos, a despeito de idade, sexo ou religião, é possível inferir que existe hoje em dia uma espécie de corrida caótica em direção ao sucesso, em todos os níveis da sociedade, algo que todos sabem transitório, mas que se torna muito prazeroso pela intensificação midiática que recebe ou pelo retorno dos prazeres mundanos que proporciona.
Vivemos, portanto, uma situação que se não é nova na história, hoje parece mais exacerbada. O individualismo intensificou-se e o sucesso é buscado a qualquer preço, pois valor está no que se tem e não no que se é.
Dentro desse contexto, talvez a decepção pelo sucesso não conquistado, ou pela dificuldade em alcançá-lo, esteja levando muitos jovens às drogas, já que isso tudo é obviamente uma grande ilusão, sobretudo em um país com tantas desigualdades como o Brasil.
É claro que esse raciocínio corre o risco de cair no simplismo, no relativismo ou até mesmo no conservadorismo reacionário. De qualquer forma, é preciso refletir e arriscar algum novo caminho para combater essa ‘praga’ que atualmente infesta as nossas cidades. Da forma como estão, as campanhas de conscientização e o combate ao tráfico já parecem um tanto inócuos hoje em dia.