Nesta semana, a rua Doutor Pedro Toledo, vizinha da Unifran e também conhecida como “rua dos bares”, perde totalmente o clima de badalação que a caracteriza quase o ano inteiro e vira um “deserto”. Motivo: férias dos estudantes universitários. O fato acontece duas vezes por ano, nos períodos de recesso escolar, em julho e dezembro/janeiro. Sem consumidores, a solução dos comerciantes do Parque Universitário é fechar as portas no período.
Para os que vivem somente do comércio no local, a fase é difícil. Tanto que para “se virar” e não ficar no vermelho, uns fazem promoções e outros fecham as portas e buscam trabalho até na construção civil.
Nas duas últimas semanas, período em que o calendário da Unifran foi reservado para provas substitutivas e recuperações, o movimento do local já tinha caído. Na última quarta-feira, metade dos bares já estava fechada. Em alguns estabelecimentos, o público diminuiu até 70%.
É o caso do bar Aula Vaga, um dos mais tradicionais da rua. Há 14 anos no local, o proprietário Hugo Polo já se acostumou com a situação. “Julho é péssimo, pois não entra dinheiro. Minha sorte é que não pago aluguel”, afirma.
Para não passar tão apertado durante o recesso, Polo recorre a promoções para acabar com os estoques do bar. “Vendemos quatro cervejas pelo preço de três e também diminuímos o preço das bebidas.” Os quatro funcionários são pagos por dia de trabalho, e ficam livres nas férias para trabalharem em outros lugares.
Mesmo sem gastos com funcionários, Romilson Martins da Cunha, dono do Espetinho do Alemão, também sofre durante as férias. Trabalhando somente com a mulher no ponto alugado há quatro anos, diz que baixar os preços em junho é inviável. “Não conseguimos fazer promoções para trazer outro pessoal porque nosso público é só de estudantes”, afirma. O jeito é recorrer a outras fontes para sobreviver. “Nas férias, a gente procura a construção civil para não ficar sem renda. Também somos contratados para cozinhar em festas, mas isso é muito irregular.”
Famoso pelas 20 mesas de sinuca no bar, o Toa Toa também perde seus clientes em julho. O dono, Valteir Ramos da Silva, aposta na tática de guardar um dinheiro extra todos os meses. “Se o comerciante não guardar dinheiro, não sobrevive. Minha sorte é que o ponto é meu”, explica.
Abigail Castorina Porfírio, dona de uma loja de bijuteria e produtos de papelaria e informática, diz que troca o varejo pelo atacado nas férias. “Nós fechamos e meu marido vende no atacado.”
Novos proprietários do bar Simprão, Edmar Antônio da Costa Junior e Airton Bertolino, sentirão pela primeira vez o impacto das férias escolares no negócio. No comando do estabelecimento desde fevereiro, eles fecharão as portas nesta segunda-feira e passarão a funcionar aos sábados, a partir de agosto, no horário de almoço, para tentar recuperar o que vão perder em julho.
RESISTENTES
Localizados na rua dos Sapateiros, próximo à Doutor Pedro de Toledo, um restaurante e uma padaria são praticamente os únicos estabelecimentos que permanecem abertos neste mês no Parque Universitário. De acordo com Luciano Pereira Floriano, garçom do restaurante L’Amélia, o movimento no período cai cerca de 30% e o público que frequenta o local é diferente. “Geralmente, famílias preferem vir nas férias porque o movimento é mais tranquilo.”
A padaria Boulevard, que funciona 24 horas normalmente, fecha à meia-noite neste mês. Geraldo Medeiros Xavier, proprietário da padaria, afirma que o número de clientes cai até 70% nesta época. Para suprir a renda das férias, Xavier vai abrir um novo ponto em outro bairro. “Estou montando outra loja justamente para equilibrar esse movimento.”