05 de abril de 2026

‘Bigode’ encerra carreira em Franca


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Hélio Rubens Garcia, 71, mostra a vista do apartamento em Uberlândia, cidade em que trabalhará depois de deixar o Franca Basquete após 48 anos como jogador e técnico de basquete

A saída de Hélio Rubens Garcia do comando técnico do Franca Basquete marca a cobertura esportiva do ano no jornal Comércio da Franca. Após uma temporada desastrosa, o clube viu seu treinador acabar com 48 anos de relacionamento com o basquete local através de uma simples carta. Agradecimentos a ex-companheiros, dirigentes e patrocinadores deram o tom de despedida daquele que permanecerá por muito tempo como o maior destaque do esporte francano. Pelas páginas do Comércio, e também no site do GCN, os milhares de torcedores do Franca Basquete acompanharam os lances que ocasionaram o final de uma era recheada de títulos e definidora da personalidade de um município.

Hélio Rubens Garcia foi técnico e jogador do time francano, tendo ao longo da carreira alcançado o posto de maior campeão brasileiro de clubes. No último dia 14 de maio, ele comunicou que não renovaria seu contrato. Isso significou sua saída do Franca Basquete, mas não a aposentadoria. Menos de um mês depois, ele foi anunciado treinador do Uberlândia, cidade onde moram suas filhas e na qual conquistou o Estadual, o Brasileiro e a Liga Sulamericana em 2004/2005. Além disso, seu filho Helinho havia sido contratado pelo mesmo clube. O “Bigode”, como é chamado pelos amigos mais próximos, deixará de residir diante do Lanchão para exercer sua profissão e estar com a família no Triângulo Mineiro.

Este foi o ocaso de um longo processo, marcado por resultados dentro das quadras que não agradaram, pesadas críticas vindas das arquibancadas do Póli e muita discussão entre os torcedores sobre se ainda valia a pena ter Hélio Rubens à frente do time da cidade. Por causa disso, até uma saia justíssima o ex-treinador francano passou nas mãos do ex-presidente do clube Luís Carlos Teixeira. O Comércio da Franca retratou o vicecampeonato do clube no NBB3, as derrotas e eliminações em torneios outrora vencidos pelos francanos. Por isso, o dirigente foi procurado e aceitou dar uma entrevista que revelou divergências na cúpula do clube. Ao Comércio, Teixeira marcou data para a aposentadoria de Hélio Rubens. Vinte e quatro horas depois, o técnico veio a público dizendo-se no auge da forma. Lembrou ter sido considerado o melhor treinador do País uma temporada antes e deixou claro que avisaria quando decidisse parar. Teixeira atribuiu à imprensa um suposto mal entendido.

As campanhas do Franca Basquete continuaram insatisfatórias. A lista de fracassos foi grande: eliminação no Campeonato Paulista, Jogos Abertos e na Liga das Américas, ainda na primeira fase. Por fim, o NBB 4, considerado a tábua de salvação, mostrou-se um verdadeiro calvário. O time com alta média de idade capengou durante todo o campeonato. Erros na montagem do elenco, estrangeiros contratados por vídeo e trocados fora de hora e contusões de atletas importantes foram apenas alguns dos problemas enfrentados na temporada e acompanhados em detalhes pela equipe de reportagem do jornal.

Os torcedores locais consideraram Hélio Rubens diretamente responsável pelos insucessos. Entre as críticas, a não utilização de jogadores com passagens pelas categorias de base do clube. A página do GCN na internet tornou-se um fórum onde seu trabalho foi questionado. No final, a campanha do Vivo/Franca foi a pior em todas as edições do NBB. O time teve dificuldades para se manter entre os 12 primeiros colocados e acabou “varrido” (eliminado por 3 a 0) por São José na segunda série dos playoffs.

Mesmo dizendo estar mantida a tradição de luta, garra e superação do time, Hélio Rubens Garcia decidiu sair. Sem ele, o novo presidente - Marco Calixto - dispensou a maioria dos atletas, a começar pelos estrangeiros. Aluisio “Lula” Ferreira e vários jovens atletas foram contratados dando início a um novo tempo.

DISCREPÂNCIAS
Mudar o comandante também foi a decisão adotada pela Francana. Coincidentemente, na mesma semana em que Hélio Rubens saiu, o mineiro Wantuil Rodrigues foi desligado do cargo de treinador do clube da Simão Caleiro. Ele se manteve no time por mais de um ano, mas eliminações consecutivas em campeonatos importantes, com derrotas em casa, encerraram sua passagem na cidade.

Apesar de fazer bons jogos e até liderar a Série A-3, a Veterana ficou fora da segunda fase. Isso, após perder e empatar jogos no Lanchão com lanternas da competição. A cada mau resultado em casa, os torcedores foram se afastando do clube. A eliminação custou o cargo a Wantuil. O Comércio revelou com exclusividade o nome do novo treinador. André Oliveira chegou e terá trabalho com a mesma base da A-3 para tentar alcançar a meta imposta pelos dirigentes: subir o time menos de um ano após seu centenário.

Mas nem só de tristeza viveu o futebol de Franca. Mesmo longe de casa, a seleção de futebol amador da cidade ergueu o trofeu de bicampeã estadual de Ligas, torneio promovido pela Federação Paulista, em setembro de 2011. O time venceu um adversário invicto em seu estádio com atuações impecáveis de Robinho e do goleiro Juninho. O sucesso pode ser medido meses depois. A Liga, entidade organizadora dos campeonatos varzeano e mantenedora da seleção, fechou o maior contrato de patrocínio de sua história com uma distribuidora de cerveja.