O Comércio da Franca recebeu este ano o Prêmio CNI (Confederação Nacional da Indústria) de Jornalismo pela publicação de reportagem especial de quatro páginas que denunciou a fraude chinesa que utiliza o Paraguai como entreposto para camuflar os sapatos daquele país vendidos ao Brasil, sem pagar a sobretaxa. A prática torna o produto chinês mais barato que o brasileiro, resultando em concorrência desleal. A premiação aconteceu no dia 30 de maio, na sede da CNI, em Brasília.
O Comércio concorreu na categoria Destaque Regional com a matéria produzida pela repórter Priscilla Sales e pelo fotógrafo Marcos Limonti, intitulada “Paraguai despeja ilegalmente no Brasil 5 milhões de calçados chineses”. As outras duas finalistas foram a Globo News, com a matéria “Franca um novo jeito de fazer sapatos” e o jornal Estado de Minas com a reportagem “Sertão Grande”. Disputaram o prêmio, composto por 13 modalidades, 323 trabalhos jornalísticos de diversos veículos de comunicação nacional, sendo selecionados 32 finalistas.
A repórter Priscilla Sales e a editora-executiva do Comércio, Eliane Silva, estiveram em Brasília para receber o prêmio. “É o reconhecimento de um trabalho muito árduo, difícil e que precisou de muita dedicação. É muito satisfatório saber que é considerado um dos melhores do Brasil. Agradeço ao Comércio por ter acreditado no meu trabalho e ter me dado as ferramentas para conseguir realizar uma matéria como essa. É um prêmio, literalmente, nosso”, afirmou Priscilla.
“É um reconhecimento ao trabalho sério e de grande relevância do jornalismo. Temos uma equipe de profissionais ímpar, que projeta o Comércio no cenário dos melhores jornais do país”, completou o diretor executivo do GCN Comunicação, Corrêa Neves Junior.
A editora-chefe do Comércio da Franca, Joelma Ospedal, destaca a importância de receber do Prêmio CNI de Jornalismo. “Estamos muito felizes e orgulhosos. É precioso saber que competimos com veículos de reconhecimento nacional e que nossa reportagem foi avaliada como a melhor por uma Comissão de Julgamento formada por grandes nomes do jornalismo brasileiro.”
Para o fotógrafo Marcos Limonti, a premiação é importante não apenas pelo reconhecimento do trabalho da equipe, “mas principalmente pelo alcance que essa denúncia atinge, agora, em nível nacional.”
PREMIADA
Produzida em novembro de 2011, a matéria premiada do Comércio constatou que o Paraguai não tem capacidade técnica e operacional para produzir e exportar sapatos. No país estão instaladas 500 fábricas de calçados que, juntas, produzem 5 milhões de pares/ano, o que equivale a 14% do total de produtos das 467 fábricas de Franca - onde são produzidos 35,5 milhões de pares/ano.
Durante a elaboração da reportagem, a equipe do Comércio esteve no Paraguai e descobriu como funciona o esquema de fraude e triangulação que tem início na China. Os chineses enviam para o Brasil, através do Paraguai, quase 5 milhões de pares ou partes de sapatos por ano, e deixam de pagar as taxas de importação impostas pelo governo brasileiro.