Em quase um século de existência, o Comércio da Franca conquistou gerações de leitores, fez e faz parte da vida de milhares de francanos. Muitos destes cresceram, se formaram, fizeram sua vida tendo o jornal como companheiro.
Cinco anos mais novo que o jornal, o delegado da Polícia Civil aposentado, Guido Betarello, 92, é um dos francanos que cresceu tendo como referência de informação o Comércio da Franca.
A leitura fiel de todos os dias acontece há 80 anos, 66 deles como assinante. “No café (da manhã), faço a leitura de todos os cadernos. Noticioso, confiável e independente. A família inteira lê, inclusive a meninada, procurando os suplementos, bem como os amigos e vizinhos - que de vez em sempre - pedem o jornal”, brinca Betarello.
Em seu escritório, rodeado por livros e ao lado de sua antiga - mas ativa - máquina de escrever, Betarello relembrou a primeira vez que teve contato com o Comércio. “Eu era estudante, tinha 12 anos, e comprava material escolar na Livraria do Comércio, na Praça da Matriz, que era de propriedade de Ricardo Pucci, também dono do jornal. As edições eram impressas lá.”
Apaixonado pela leitura, escrita e, sobretudo, por selos, Betarello teve um espaço semanal no Comércio, denominado Você sabia?, para comentar e responder questões sobre filatelia, sob o pseudônimo de Filatélicus. “Me sinto bastante feliz em registrar que na década de 50 fiz parte de um grupo de colaboradores do jornal.”
Em 1965 entrou para polícia civil e se tornou fonte de jornalistas que cobriam a editoria. “Trabalhei bastante com Luiz Neto e Valdes Rodrigues. Muito bons profissionais”, ressalta o delegado aposentado.
Betarello destaca também a seriedade do Comércio e o poder das imagens no processo de comunicação. “Não sou contra imagens que chocam. A fotografia é o princípio da honestidade, o registro do que realmente aconteceu. Tudo que sensibiliza ajuda a modificar”, opina Betarello.
O leitor há oito décadas cita como exemplo deste poder de modificação da imprensa as imagens de acidentes com mortes na Curva da Morte, na rodovia Cândido Portinari, entre Franca e Rifaina. Betarello acredita que a publicação das imagens no Comércio ajudou na “conscientização” do governo do Estado, que construiu viadutos para acabar com a curva.
“O Comércio é considerado um dos mais conceituados jornais do interior e do país. A parceria com a rádio Difusora aumentou sua preferência, devido à presteza em ditar os acontecimentos”, aponta Betarello, um dos leitores mais antigos do jornal que define sua distribuição como “infalível” e nos “moldes da perfeição”.