Para Corrêa Neves Júnior, gerir uma ONG como o Veredas é uma forma de retribuir Franca pela confiança e de contribuir para o desenvolvimento da cidade. Confira a entrevista na qual ele antecipa planos e deixa claro como valoriza o voluntariado.
Comércio 97 anos - É fato que o trabalho do Veredas transforma a vida da comunidade que atende. Crianças que normalmente não teriam condições de frequentar, por exemplo, um curso de judô ou uma aula de balé encontram na ONG a oportunidade. Pessoalmente, como analisa esse trabalho?
Corrêa Neves Júnior - Acredito que a responsabilidade de uma empresa, independente do tamanho ou segmento, vai além dos produtos que fabrica ou dos serviços que executa. Há uma responsabilidade intrínseca, um tributo permanente com a comunidade onde está instalada que tem que ser pago. Não falo aqui de recursos, mas de retribuição, de investimento, de aposta no desenvolvimento da comunidade que lhe deu as bases para criação e sustentação do negócio. É por isso que, no nosso caso, resolvemos apoiar, gerenciar e manter uma ONG focada em educação, instalada num bairro periférico, que atendesse de graça sem depender de quaisquer outras verbas ou repasses. É nosso jeito de permanentemente dizer obrigado a Franca e de ajudar no desenvolvimento da cidade e das futuras gerações.
Comércio 97 anos - Você abraçou o Veredas há muitos anos. O que aspira para ele a curto e médio prazo?
Júnior - Na verdade, todos nós abraços, especialmente minha mãe, que dedica muita atenção e tempo ao Veredas, além de funcionários como Ilda Xavier e Cibele Andrade. O que espero é que o Veredas, que vai passar a se chamar Academia de Artes, continue a fazer diferença na vida de centenas de crianças do Recanto Elimar e bairros vizinhos, ampliando seus horizontes e proporcionando acesso a atividades educacionais e culturais das quais, não fosse a ONG, elas estariam alijadas pelas circunstâncias.
Comércio 97 anos - Quinze voluntários doam parte do seu tempo ministrando 12 oficinas a crianças, jovens, adultos e idosos. Como você avalia esse trabalho?
Júnior - É um trabalho impecável. São professores dedicados, que levam a atividade muito a sério e, sem os quais, por maior que fosse nossa vontade, nada haveria para comemorar.
Comércio 97 anos - Há ainda os voluntários que são funcionários do GCN e outros que, apesar de não serem voluntários, colaboram mensalmente com a causa por acreditar nela. Como você vê essa participação expressiva?
Júnior - Com muito orgulho. Vejo que grande parte dos nossos funcionários entendem que a relação entre quem emprega e quem trabalha nada tem de exploração. Muito pelo contrário, é uma relação complementar, capa de produzir não apenas produtos de excelência, como jornais, revistas, internet, programação da rádio, mas ir muito além. Por exemplo, oferecendo educação e cultura, de graça, a uma população carente e periférica. Sem o apoio de todos os funcionários, isso simplesmente seria impossível.