Mais uma polêmica começa a agitar a cidade. De acordo com decreto da Prefeitura, todas as empresas de fretamento contínuo que fazem viagens acima de 300 km terão que fazer o embarque e desembarque no terminal turístico instalado ao lado da nova rodoviária.
O objetivo do decreto é regulamentar o serviço de fretamento na cidade. Sua justificativa é a de que no terminal os passageiros teriam mais segurança e comodidade para embarcar e desembarcar.
Obviamente, a reação foi imediata. Nesse primeiro momento, operadoras e agentes de turismo reclamaram, algo que não deveria causar surpresa, pois é muito natural as pessoas resistirem às normas quando elas interferem em alguma coisa que já acontece espontaneamente e há muito tempo.
Tentar mexer nas coisas que já estão acontecendo é sempre mais difícil do que normatizar algo que ainda não começou. De qualquer forma, é importante que todos entendam que as mudanças, na maioria das vezes, são cruéis com as nossas vontades, mas que, em determinados momentos, é mais inteligente e estratégico tirar proveito delas do que ir ao seu encontro.
A questão da segurança levantada pela Prefeitura é realmente importante. Mesmo que até hoje nada de mais grave tenha acontecido, nada garante que esses problemas não possam acontecer, sobretudo porque os índices de criminalidade, infelizmente, estão sempre pressionando para cima.
Mas se a segurança é primordial, a preservação do futuro de nossa rodoviária também é importante. Quando ela estava abandonada, todos reclamavam e pediam para que fosse reformada. Agora que essa reforma foi feita, com investimentos de milhões de reais em sua nova infraestrutura, é de se esperar que os francanos comecem a utilizá-la mais frequentemente, pois seus custos de manutenção e mesmo os de permanência dos comerciantes que ali trabalham aumentaram. Se nada for feito nesse sentido, logo a teremos abandonada outra vez, feia e cheia de valiosos e perdidos recursos.
Além disso, é importante que os usuários dos serviços de fretamento, bem como os agentes e operadores dessas viagens se conscientizem de que a cidade vem crescendo bastante, o que implica ainda mais na necessidade de normatizações de todos os tipos, já que é preciso garantir o equilíbrio entre os direitos individuais e o interesse da coletividade.
É de se convir que existe uma relação quase que siamesa entre rodoviárias e ônibus. Uma foi feita para o outro. No contexto atual em que vivemos, ônibus parado em ruas e avenidas de Franca para embarcar e desembarcar passageiros pode ser bom para os usuários desses serviços e para seus empresários, mas com certeza não o é para toda a sociedade.
E no mais, é só uma questão tempo. Daqui a alguns anos, ninguém mais vai se lembrar que os ônibus não saíam da rodoviária.