16 de março de 2026

Às propostas, candidatos


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Sidnei só foi eleito sem propostas porque era conhecido, já tinha governado a cidade e dispensava apresentações. Seu vice, Ary Balieiro, idem. Agora, é diferente.

“Em política, o importante não é ter razão, mas que a deem a alguém” - Konrad Adenauer, político alemão 

O governo Sidnei Rocha caminha para seu trecho final. Há oito anos no comando da prefeitura de Franca, é inegável que o temperamental radialista, que se converteu no homem que por mais tempo comandou a cidade na soma de seus três mandatos, dois deles consecutivos, transmitirá a quem o suceder um governo muito mais organizado e eficiente do que a máquina pública que herdou. As contas estão em dia, os salários são pagos com correção, as dívidas foram quitadas ou equacionadas, há dinheiro para investimentos e um número considerável de obras foram executadas ou estão em andamento neste instante.

É claro que isso não o transforma em santo nem anula erros pontuais, mas ignorar o fato de que Franca hoje está muito melhor do que há oito anos é se esconder num quarto escuro para fugir da realidade. Pode-se debater à exaustão as razões que nos trouxeram a este ponto. Para os petistas que, sob comando de Gilmar Dominici, antecederam Sidnei Rocha, tudo é resultado do ‘efeito Lula’ e Franca só acompanhou a corrente de desenvolvimento e avanços na qual navega o Brasil. Para os que execram o PT, não é nada disso e o momento de Franca é reflexo único e direto da boa gestão de Sidnei Rocha.

Acredito num misto das duas hipóteses: Franca está num bom momento porque foi bem administrada, mas é importante considerar também que os resultados foram obtidos num contexto em que o país cresce e avança. Só um dos dois fatores – cidade bem administrada ou país que cresce – dificilmente produziria os mesmos resultados.

Independentemente das conclusões pessoais de cada um, tudo isso caminha rapidamente para se tornar passado. Faça chuva ou faça sol, o próximo 31 de dezembro de 2012 será o último dia de Sidnei Rocha à frente da prefeitura – pelo menos, neste mandato. É inexorável que, na manhã seguinte, no primeiro dia de 2013, ele transmitirá o cargo e tudo o que isso significa ao seu sucessor. Salvo uma hecatombe que desafie qualquer mínima lógica que resida na política, aquele que receberá nossa autorização para governar a cidade sairá de uma lista que não ultrapassa cinco nomes: Graciela Ambrósio (PP), Gilson Pelizaro (PT), Marco Aurélio Ubiali (PSB), Alexandre Ferreira (PSDB) ou Cassiano Pimentel (PV). Certamente haverá mais gente na disputa mas nenhum outro, por melhor que sejam suas intenções, tem chance efetiva de vitória, quer pela carência de recursos, quer pela inexpressividade das suas próprias candidaturas.

Até agora, os candidatos dedicaram seu tempo e energia à construção de alianças, a arregimentar apoiadores, a estruturar a campanha. É uma fase inescapável, mas que se encerra com as convenções partidárias, cuja temporada foi aberta neste final de semana mas tem que terminar, por conta da legislação eleitoral, até o próximo dia 30. Graciela Ambrosio e Alexandre Ferreira foram os primeiros a cumprir o rito formal de ter os nomes confirmados nas suas respectivas convenções. Os demais virão na sequência. A data mais importante, no entanto, está reservada para o mês que vem. É só a partir do dia 06 de julho que os candidatos estarão liberados oficialmente para sair em campanha e pedir votos. É quando, para os eleitores, o jogo efetivamente começa. E, no caso de Franca, a disputa virá revestida de uma significativa diferença em relação aos pleitos anteriores: a ausência do caráter de referendum.

Quando Sidnei Rocha foi eleito em 2004, praticamente não houve discussão de propostas de governo. Sidnei, numa versão “paz e amor”, simplesmente rechaçava o governo petista, mantra que encontrou eco nos anseios da população. Naquele instante, ninguém votou pró-Sidnei, mas anti-PT. Quatro anos depois, a gestão eficiente que garantiu a ele números expressivos de aprovação popular praticamente anulou qualquer disputa eleitoral. Sidnei Rocha só passeou. De novo, não fez propostas e passou todo o tempo comemorando suas conquistas. Saiu consagrado com mais de 70% dos votos.

Há que se considerar que isso só foi possível porque Sidnei Rocha era conhecido da população, já tinha governado a cidade e, como radialista, dispensava apresentações. Seu vice, Ary Balieiro, idem. Agora, o cenário é completamente diferente. Nenhum dos nomes na disputa, por mais que sejam conhecidos, traz no currículo a condição de ex-prefeito. As experiências de cada um variam, mas será muita ousadia ou pretensão algum deles se apresentar aos eleitores baseado apenas na própria reputação ou em quem o apóia. Difícil imaginar que alguém vença esta disputa assim.

É hora dos candidatos mostrarem aos eleitores quem são, o que fizeram nos últimos anos mas, sobretudo, o que pretendem fazer nos próximos. É preciso que digam quais seus projetos para as finanças, a educação pública, a manutenção da cidade, as políticas sociais, os investimentos no setor produtivo.

É preciso que demonstrem também de que forma pretendem administrar a saúde pública. Vão manter a decisão de Sidnei Rocha e deixar com o governo do Estado a missão de gerir a alta complexidade, o que intensifica os problemas na Santa Casa mas dá mais tranquilidade à prefeitura, ou vão assumir o problema e decidir quem é internado ali? Quais as propostas para gestão dos prontos-socorros que serão inaugurados no final do atual governo? Como pretendem atrair médicos para o serviço público municipal?

Essas são apenas algumas das questões que se impõem, mas haverá centenas de outras. O ciclo Sidnei Rocha se aproxima do fim. É preciso que os candidatos que se lançam à sucessão tenham seriedade e não fujam das respostas, quaisquer que sejam elas. Quanto mais claras as posições, melhor o julgamento de quem vai ter que escolher. É hora de colocar as propostas na mesa. O resto, fica por conta da consciência e do coração de cada eleitor.

CORRÊA NEVES JÚNIOR é diretor-responsável do Comércio da Franca jrneves@comerciodafranca.com.br