10 de julho de 2026

Laércinho: um homem de estilo e muita cor na Câmara de Franca


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Laércinho usa o favorito terno vermelho

Quem acompanha as páginas de política do jornal Comércio da Franca ou as sessões da Câmara Municipal com certeza já teve a chance de conhecer algumas das peças, digamos, peculiares, que fazem parte do guarda-roupa do vereador Miguel Laércio Matias (o Laércinho), do PP. A camisa xadrez com o terno vermelho, a gravata laranja ou as peças neon em verde-limão. Pois bem, a reportagem visitou há alguns dias a casa do político na companhia da produtora de moda Monica Pais para ver o que mais ele esconde no seu closet.

Bom, na verdade ele não esconde nada, quem esconde é a mulher dele, Lúcia, que vez ou outra “esquece” gravatas e camisas em gavetas, na lavanderia e em outros esconderijos mais criativos para evitar que ele use.

Laércinho conta que sempre gostou de se vestir bem. Apesar da origem humilde - ele, os pais e os seis irmãos moravam no bairro rural do Paiolzinho -, desde a infância, sempre que possível, ele faz questão de caprichar na produção. A primeira lembrança de quando suas roupas chamaram muita atenção vem de seus 10 anos. Laércinho se recorda de ter vindo à cidade com uma bota sanfonada e um chapéu “maneiro”.

Mais tarde, quando conheceu Lúcia, com quem está casado há 31 anos, gostava de usar uma camisa vermelha, listrada, que incomodava a namorada. “Ele sempre gostou de cores berrantes, mas não como hoje. Eu até gosto, mas às vezes ele usa meio descombinando e eu não sou muito a favor”, diz Lúcia.

O vereador está na segunda legislatura. A primeira foi entre os anos 2000 e 2004. Na época, não usava os ternos e gravatas coloridos com os quais desfila hoje. O único que tinha era um cinza, presente de Lúcia, que comprou o tecido e mandou fazer o terno no alfaiate. Usou a peça na posse e em poucas ocasiões depois. Nas sessões, usava apenas camisa e gravata para não repetir o terno. Quando foi eleito novamente, em 2008, Laércinho decidiu que, aos poucos, renovaria o guarda-roupa.

NA POSSE
Para ser empossado na segunda eleição, o vereador comprou um sóbrio terno preto. A discrição, porém durou bem pouco. Logo apareceu na Câmara usando um terno “diferente” para defender um polêmico projeto de lei de sua autoria: a proibição dos panfletos na cidade. Vestindo um terno branco, ele precisou de segurança, mas, sem abrir mão do seu projeto, discursou propondo paz aos panfleteiros que lotaram a Câmara. “Precisava de ‘bandeira branca’, propor trégua, então decidi que usaria um terno branco. Fui achar um do meu gosto em São Paulo, porque em Franca me pediram R$ 1 mil só para costurar”, explica o vereador.

Laércinho conta que ficou alucinado quando entrou na loja dos ternos coloridos. Comprou apenas o branco, mas decidiu que ele não seria o único. O segundo a ser adquirido foi o verde, seguido do vermelho, o preferido atualmente do vereador. “Quando me viu usando o vermelhão, minha mulher falou que eu parecia um palhaço de circo, mas não liguei, sei que foi da boca para fora. Eu estava feliz e ela quer me ver feliz”, diz. Na coleção de costumes do político há ainda o mostarda e o azul. Cada terno colorido custou R$ 150 na capital paulista.

Os trajes do vereador chamam muita atenção na Câmara, a começar pela sua secretária, Simone. Ele diz que a funcionária, no entanto, já está se acostumando ao seu estilo. Os outros vereadores insistem nas gozações, mas Laércio acha que o que eles queriam mesmo era ter a sua coragem para se vestir. “A verdade é uma só: eles querem fazer como eu mas não conseguem.”

Para chegar até a Câmara vestido como gosta, porém, o vereador precisa driblar a vigilância da mulher e da filha Gisele. As duas já chegaram a tirá-lo do carro para que trocasse de roupa. Quando chega de São Paulo com uma novidade também precisa tomar certos cuidados. Traz o terno escondido, leva no alfaiate para fazer consertos e as mulheres só vêem a novidade quando Laércinho já está vestido. “Espero a Lúcia sair de casa para escolher a vestimenta”, diz, ele, aos risos.