08 de julho de 2026

Inclusão na escola


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A educação brasileira não é e também nunca foi um grande exemplo em termos de qualidade e eficiência. A escola, o principal espaço em que ela se manifesta, também nunca mereceu de nossas autoridades o tratamento que merecia, a não ser em alguns poucos períodos históricos, tempos em que a grande massa de jovens e crianças ainda estava alijada do processo educacional.

Em relação aos trabalhadores da educação, é possível afirmar também que nunca houve um cuidado especial com sua formação, remuneração ou condições de trabalho, a não ser nesses períodos históricos mencionados acima, em que parte de nossa sociedade parece ter acordado para a importância da educação, mas logo sucumbido novamente aos imperativos de uma racionalidade econômica que acabou preterindo da qualidade no lento processo de massificação que impôs ao ensino.

Apesar desse descaso histórico, no entanto, não há como negar que nas últimas décadas a educação tornou-se uma constante preocupação de nossos governantes, uma vez que ela é fundamental para a sobrevivência e a competitividade do país nesse cenário de interdependência econômica e tecnológica que vivenciamos atualmente.

Mas como perdemos muito tempo no passado, a recuperação que estamos empreendendo não vai ser tão rápida e precisa quanto gostaríamos que fosse. A despeito dos investimentos feitos nos últimos anos, tanto em recursos humanos como físicos e tecnológicos, ainda temos um longo caminho pela frente, no sentido de transformar a nossa escola e o nosso processo de ensino.

Nesse sentido, a luta pela inclusão de alunos portadores de deficiência na rede pública, apesar de correta e acertada, coloca um desafio imenso para todos os profissionais da educação, assim como para as autoridades e até mesmo para a própria sociedade.

Para que essa correta decisão não se perca apenas na nobreza de suas intenções, é importante que tenhamos em mente que essa inclusão não se dará da noite para o dia, como se tudo funcionasse perfeitamente em nossas escolas. Se considerarmos que na própria sociedade a exclusão dos deficientes ainda é uma forte realidade, não é difícil imaginar o tamanho do desafio a ser enfrentado por professores, funcionários e demais operadores do ensino, o qual exigirá deles muita paciência, boa vontade e dedicação.

É preciso entender que de forma geral a qualidade ainda passa longe de nosso sistema de ensino, mesmo considerando os alunos que não demandam cuidados especiais. O regime e a carga horária de trabalho da maioria dos professores também é outro ponto a ser considerado, uma vez que eles trabalham em várias e escolas e acabam não se integrando a nenhuma, algo pouco recomendado pelas abordagens administrativas dominantes nos dias de hoje. E isso sem falar nos baixos salários que não conseguem motivar os docentes e funcionários a assumirem novas responsabilidades.

Mas esse é um processo que precisamos implementar. A inclusão é justa e necessária.