08 de julho de 2026

Sinais dos tempos....


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“A vida imita o vídeo Garotos inventam um novo inglês Vivendo num país sedento Um momento de embriaguez” - Engenheiros do Hawai

O que aconteceu com a gente? Abrimos fronteiras e derrubamos a hierarquia. Destituímos a função do pai, igualamos os papéis nos direitos, mas não queremos assumir nossos deveres. O Estado também perdeu sua dinâmica e potência e, por conta disso, perdeu sua credibilidade. Deus, coitado, deixou de existir como Aquele que protegia, punia e vigiava. Morreram nossos “pais”.

Matamos nossos ídolos e os trocamos por coisas que nos representam, mas só hoje, pois amanhã já é outro dia e outras coisas virão.

Sem rumos ficamos desbussolados e buscamos a todo custo, sem consequências, o prazer. Prazer da pouca idade, prazer da irresponsabilidade, prazer nas relações fugazes. Nada de compromisso.

Sem ontem, não podemos contar histórias, somos reflexos de hoje e só. Vivemos como se não fôssemos morrer e queremos mais e mais.

Bebidas, drogas potencializam nossa alegria e nos liberam sensações inigualáveis. Queremos mais. Somos consumistas.

Construímos castelos alucinatórios onde só mora um, nada de relação, nada de nada. Nosso discurso é cínico e descompromissado: imagino quem quero ser e sou o que posso ter; e, caso você duvide, te deleto simplesmente. Estamos na era dos monólogos compartilhados.

O que fazer? A solução só pode vir quando o incômodo gera mobilização; mas hoje poucas coisas nos mobilizam, haja vista tanta roubalheira na nossa fuça, tantas mortes por falta de recursos e nada fazemos.

Geralmente nos sentimos impelidos a reagir, quando somos envoltos pela notícia ruim. Aí saímos do comodismo de que “não tenho nada com isso” e partimos para a luta. Porém, neste momento, percebemos nossa fragilidade diante do cenário que nós mesmos ajudamos a construir.

Sei que não adianta lamentar o mundo atual achando que o de antigamente era melhor. Novos desafios exigem novas ferramentas. Mas, sem dúvida nenhuma, devemos parar e refletir sobre onde queremos chegar.

E se para começar o texto busquei Engenheiros do Hawai, para terminar assim também o faço: Um dia me disseram que as nuvens não eram de algodão, um dia me disseram, que os ventos às vezes erram a direção; quem ocupa o trono tem culpa, quem oculta o crime também, quem duvida da vida tem culpa, quem evita a dúvida também tem. Somos quem podemos ser. Sonhos que podemos ter.