O movimento mais relevante com vistas às eleições para prefeito em Franca foi dado ontem. O cerco a Gilson de Souza (DEM) chegou ao fim e ele decidiu como será sua participação na campanha. Tido como peça decisiva no tabuleiro eleitoral em função das expressivas votações que obtém, o deputado que cumpre o quarto mandato descartou a possibilidade de concorrer e anunciou apoio à pré-candidatura de Graciela Ambrósio (PP). Pelo acordo, Gilson de Souza Filho (PSC) sairá como vice. A adesão do parlamentar significa mais um expressivo reforço ao nome da delegada. Ao mesmo tempo, provocou um tsunami no cenário político local. O PTB, que esperava indicar o vice, rompeu com o PP. Passou a ser, imediatamente, assediado pelo PSDB, PT e PSB.
Gilson vinha fazendo mistério sobre sua posição na campanha eleitoral. Ele alimentou o quanto pôde o desejo de se candidatar. Mas, pesava a opinião pública de que ele deveria ficar na Assembleia Legislativa, onde realiza elogiado trabalho.
Enquanto não se decidia, recebeu convites do PT, do PSB e do PSDB. Todos tentaram costurar um acordo para lançar o seu filho como vice. No fim de semana, o cenário indicava que uma dobradinha com Ubiali era mais provável. As conversas não evoluíram para o rumo esperado e conduziram o deputado para o lado de Graciela.
Na noite de segunda-feira, Gilson foi recebido na casa da delegada. Ouviu que as portas do PP estavam abertas para ele. A reunião terminou na madrugada de ontem e selou a dobradinha. “O acordo foi fechado e estaremos juntos nas eleições. É uma coligação global. Vamos indicar o vice e formaremos um bloco só. Teremos uma chapa única de vereador”, afirmou o deputado. A aliança em torno do nome de Graciela será formada pelo PP, PDT, DEM e PSC. “Estou muito feliz por ter fechado esta parceria com o Gilson. Ele tem uma popularidade incrível, é um deputado atuante e responsável por grandes conquistas para a região. O filho dele representa a força da juventude e vai trazer um ganho enorme para a nossa campanha”, disse a delegada.
Os reflexos da decisão foram imediatos e provocaram desdobramentos entre os partidos concorrentes. Ubiali (PSB), que havia traçado a prioridade de se coligar com Gilson, já articulou para tentar atrair os petebistas que perderam espaço com Graciela. Os presidentes das duas legendas se reuniram ontem à tarde no gabinete do vereador Bahia (PTB) para costurar uma aproximação. Hoje, o PTB vai conversar com lideranças do PT e do PSDB.
As movimentações não devem parar por aí. Ontem, a coluna Painel da Folha de S.Paulo, especializada na cobertura política, trouxe nota informando que, para fechar com Fernando Haddad em São Paulo, o PSB cobrou do PT alianças em sete cidades. Franca está entre elas. Publicamente, a possibilidade é rechaçada pelos petistas locais, que insistem com a candidatura própria.
A decisão de Gilson não foi bem digerida pelo PSDB, que esperava contar com o apoio do deputado integrante da base de apoio ao governador. A amigos, o prefeito Sidnei Rocha criticou a postura do parlamentar.
Gilson disse que as negociações com os tucanos não evoluíram. “Aguardei uma sinalização das lideranças locais do PSDB, mas eles fizeram um acordo e deram a vaga de vice para o PMDB. Com isso, me senti livre para conversar com outros partidos.”