08 de julho de 2026

Cérebro murcho


| Tempo de leitura: 2 min

O mercado de veículos motorizados vai, aparentemente, de vento em popa. O governo e os fabricantes agradecem. Apesar de reduzir o imposto em uma percentagem, o montante final de arrecadação cresce, haja vista para o aumento das vendas. Todos saem lucrando. O comprador, nem tanto.

A perda continua com o uso. Quem compra um carro novo, paga depois muito mais impostos.

Além das taxas obrigatórias, o custo da circulação se torna elevadíssimo. E combustível tem alto valor por causa dos tributos embutidos no preço final.

Mesmo assim, todo mundo quer um carro ou uma moto. O que conta é a comodidade. Às vezes, nem isso. Tem gente que usa veículo motorizado sem nem ter motivo. Com isso, comete uma das maiores asneiras, porque sabe que precisa se movimentar fisicamente para ter um corpo mais ajustado. No entanto, não anda a pé. Gasta pneu e combustível para percorrer as menores distâncias.

Há também quem dispensa o prazer de uma saudável caminhada para se exercitar de formas artificiais. Vai de carro para a academia localizada bem perto de casa.

Nesse oráculo moderno do corpo, finge que anda ou corre em cima de uma esteira eletrônica. Enquanto a gordura diminui, fica a comprovação de que o cérebro está murcho.

Bastaria usar os pés de forma natural para queimar o excesso gorduroso.

De nada adianta uma silhueta modelada se a pessoa deixa de lado a capacidade de raciocinar. Cuidar apenas do corpo não faz ninguém caminhar em direção a saúde mental. Um físico malhado, sem as devidas qualidades humanas, representa um retrocesso no aspecto psíquico e emocional.

Um estudante da Unifran sentiu que estava ganhando uns quilos. De sua casa até a universidade tem pouco mais de 3 km. Se começasse a ir e a voltar a pé, faria duas caminhadas de meia hora, totalizando 60 minutos por dia. Isso já daria para queimar um bom número de calorias.

Em vez disso, aproveitou o final do dia para frequentar academia próxima do local em que mora.

Das duas horas e meia disponíveis entre o fim do horário de trabalho e o início da aula noturna, passou a gastar uma hora com a malhação em um ambiente de música ensurdecedora. Claro, ia de carro, gastando quase 15 minutos para trafegar e estacionar.

O pior depois era ir para a universidade. Por vezes, o estudante ficava preso no trânsito mais de meia hora. Estressava-se com o engarrafamento constante. Atrasava-se para a primeira aula. Começou a ter queimação no estômago.

Para complicar mais, não conseguia emagrecer, mesmo fazendo exercícios físicos na academia de segunda a sexta-feira. Talvez uma caminhada de meia hora para ir estudar, sem preocupação com o trânsito, somada a mais 30 minutos, na volta para casa, fosse mais eficiente que a maratona praticada na academia. Andar a pé areja a cabeça de qualquer pessoa. Deixa a mente mais leve. O cérebro, mais solto. Isso, sem nem contar o enorme benefício físico advindo de uma simples caminhada.

Antônio Araújo
Articulista e professor - tonin.palavras@uol.com.br