A Francal é sempre uma esperança de bons negócios para a indústria calçadista. Anualmente, há mais de quatro décadas, boa parte dos empresários francanos se prepara para aquela que é uma das principais vitrines do setor no Brasil. Neste ano, porém, o número de empresas participantes de nossa cidade diminuiu. Se em 2011 foram 85, agora serão apenas 69.
Para Franca, com certeza esse é um número pequeno, sobretudo se comparado com o total de indústrias existentes no município. Mesmo considerando que a maioria das delas é de pequeno e médio porte e que os custos para participar de um evento dessa envergadura são bastante significativos, não se pode esquecer o fato de que as feiras setorizadas são atualmente uma das principais ferramentas de marketing e vendas de muitos setores da economia, pois colocam frente a frente produtores, representantes e comerciantes.
Segundo o Sindicato das Indústrias de Calçados de Franca, os motivos para essa minguada participação de nossos calçadistas estariam concentrados na data da realização e no momento delicado vivido por muitas de nossas empresas, que sofrem a concorrência do calçado asiático e não tem perspectiva de nenhuma ação governamental mais incisiva para incentivar a produção e barrar a concorrência.
Mas, para além dessa diminuição, que em si mesma já é bastante preocupante, pois deixa entrever os problemas conjunturais enfrentados pelo setor, chama a atenção a quantidade de novos modelos que será apresentada por nossos calçadistas, que chega a mais de 5 mil.
Se considerarmos uma das mais tradicionais abordagens de estratégia competitiva, ainda muito comum em todo o mundo empresarial, vamos perceber que podemos competir por custo ou por diferenciação. Por custo implica em conseguir produzir com qualidade a um preço extremamente competitivo, visando otimizar o máximo possível a produtividade e massificar também o máximo possível a sua venda e distribuição, atingindo indistintamente a um público bastante variado. Por diferenciação, busca-se justamente o contrário. Produzir pouco, com qualidade única e com algum tipo de diferenciação, que direcione a produção para nichos específicos de mercado.
O problema é que para a nossa indústria, competir por custo já se mostrou pouco improvável, já que não conseguimos chegar nem perto dos preços praticados pelos asiáticos. Nesse sentido, o mais recomendado seria concentrar todas as fichas na diferenciação. No entanto, a julgar pelo número de modelos que serão apresentados na feira desse ano, parece que nossos calçadistas estão insistindo na quantidade, uma vez que a estratégia de diferenciação exige um maior investimento concentrado em um número menor de modelos.
Pode até ser que dê certo, e torcemos por isso. Mas essa opção, tendo em vista as perspectivas que se anunciam, não deixa de ser preocupante.