10 de julho de 2026

‘O homem falou que iria matar nós 3’, conta travesti


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Travesti de 17 anos é observado por policial enquanto aguarda o resgate.

O travesti que sobreviveu ao crime completou 17 anos no dia 30 de maio. Não é exagero afirmar que ele nasceu de novo no último dia 17. O rapaz também deveria ter morrido. A exemplo das amigas, teve os pulsos amarrados por uma braçadeira de plástico e foi levado para o meio do canavial. Estava entre as mulheres no banco traseiro. Foi o segundo a ser alvejado. Jéssica, a primeira. Só ele sobreviveu para contar a história.

O travesti foi visto em casa pela última vez por volta da meia-noite de sábado. Ele estava acompanhado de Jéssica. Trocou de roupa e saiu logo depois. Foi visto pedindo carona nas proximidades. Durante a madrugada, encontrou os algozes.

Jéssica conhecia um dos homens que estavam no veículo. Seguiram para uma casa, supostamente no Jardim Esmeralda, onde mora um dos suspeitos. Lá, beberam e usaram drogas. “O homem queria ficar com a menina, mas ela não quis. Ela começou a fazer um negócio lá (sic) e ele ficou com raiva dela. Ele amarrou a nossa mão e começou a bater em nós”, disse ao Comércio antes de ser socorrido.

Da casa, o grupo seguiu para o canavial, que fica na zona rural de Restinga, mas cuja entrada se dá pela estrada que liga Franca a São José da Bela Vista. No local, os dois homens pouco falaram. O motorista sacou um revólver, possivelmente, um calibre 32, e descarregou a munição contra os passageiros. “O homem desceu do carro e falou que iria matar nós três por causa dela, porque ela foi muito ruim com ele.”

O adolescente levou um tiro no pulso esquerdo. Havia levantado o braço num reflexo para se defender. A polícia acredita que o projétil tenha transfixado o braço e atingido o seu pescoço. O rapaz virou a cabeça para o lado e fechou o olho, fingindo que havia morrido. Sangrava muito.

Ainda dentro do carro, ouviu os autores do crime ligando para uma terceira pessoa pedindo carona. O Gol que estavam era furtado. Quando a dupla se afastou, ele conseguiu se livrar das amarras e saiu do carro. Ensanguentado, caminhou por cerca de três quilômetros até se encontrar com os ciclistas.

Quando a reportagem do Comércio chegou ao local, o adolescente estava sentado em um barranco aguardando socorro. Foi lá que ele contou, sem dar detalhes, o ocorrido. Depois, foi levado para a Santa Casa e operado.