08 de julho de 2026

Uma árvore frondosa


| Tempo de leitura: 5 min

Com a graça de Deus estamos vivendo mais um domingo: devem ser momentos de descanso, de encontro familiar e de oração

Jesus nos fala do reino de Deus e compara-o a um pequena semente, grão de mostarda, que plantada e regada pelo Espírito Santo, cresce e se torna, com seus ramos, abrigo para os pássaros. É assim que Deus age conosco: cada dia é especial e em cada dia Ele planta o seu coração em nós que nos torna fortes e encorajados a testemunhar o seu Amor.

PRIMEIRA LEITURA
Essa profecia foi anunciada por Ezequiel (Ezequiel 17) numa época difícil da história do seu povo. O último rei da família de Davi, Joaquim, foi derrotado, aprisionado e deportado para Babilônia. Diante desse desastre, os israelitas sentem vacilar a própria fé no Senhor. Terá Deus falhado na fidelidade que jurou para Davi? A essa pergunta Ezequiel responde com uma analogia. A família de Davi, diz ele, é como um cedro pujante. Um dia, o rei da Babilônia invadiu o reino e o derrubou com brutalidade. Deus, porém, não se desdiz, não recua das promessas que fez. Eis, o que ele realizará: irá até a Babilônia, tomará um ramo da dinastia de Davi e o plantará no alto de uma montanha da terra de Israel. O pequeno rebento crescerá e tornar-se-á um cedro magnífico. A partir dessa situação foi-se delineando, com uma claridade sempre mais nítida, a expectativa de um Messias, de um rebento da família de Davi.

No tempo estabelecido, as profecias se cumpriram. Jesus é o rebento do majestoso cedro que Deus plantou na Terra. A leitura é um chamado para sempre acreditar em Deus, sobretudo quando nossas expectativas são subvertidas e as esperanças soçobram.

SEGUNDA LEITURA
Vimos nos domingos passados que Paulo, alquebrado pelos anos, começava a sentir-se cansado. Na primeira parte da leitura (IIª Carta aos Coríntios 5), ele compara sua condição com a de um exilado. Sente-se sente como numa terra estranha, longe da sua pátria. O seu pensamento voa para a nova pátria que o espera. Deseja estar para sempre com Deus e com Cristo. Sabe que, para conquistar esta vida, deverá passar através da morte, mas este pensamento não o amedronta. Na segunda parte o apóstolo se dá conta que seu desejo de deixar este mundo poderia ser interpretado como fuga dos problemas, de suas responsabilidades em relação às comunidades cristãs. Por essa razão conclui que, enquanto o Senhor quiser deixá-lo neste mundo, continuará se dedicando com todas as suas forças ao apostolado.

EVANGELHO
Vamos explicar o evangelho de hoje a começar pela última frase: “por meio de numerosas parábolas ele lhe anunciava a palavra... e não lhes falava senão em parábolas”. Por que o Mestre recorria às parábolas? Usava a linguagem do povo, servia-se de comparações e analogias, contava histórias simples, ambientadas no modo de vida dos pastores, dos pescadores, dos comerciantes, dos cobradores de impostos e sobretudo dos lavradores entre os quais vivia. Deste modo todos o entendiam. O alimento, para ser gostoso, deve ser preparado com cuidado e temperado com delicadas especiarias. Depois, para ser assimilado, deve ser cortado em pedaços e mastigado algumas vezes. Da mesma forma a palavra de Deus- alimento espiritual que nutre a comunidade cristã, antes de ser anunciada, deve ser bem “mastigada” por aquele que a anuncia. Vamos agora as parábolas que apresentam a dinâmica do Reino de Deus. A primeira pode ser dividida em três partes, correspondendo às fases em que é desenvolvido o trabalho na agricultura: a semeadura,
o crescimento da semente, a colheita. Comparemos. Observamos que a primeira e a terceira, que falam do trabalho do agricultor são breves. Afirma-se que ele “lança a semente na terra” e depois que “põe a mão na foice” e nada mais.

A segunda parte, ao contrário, é bem mais ampla. Descreve a germinação da semente, o crescimento e, por fim, a hora em que a espiga apresenta grãos maduros. Observa-se que este desenvolvimento acontece espontaneamente, de noite e de dia, sem qualquer participação do lavrador. Este pode ficar acordado ou ficar dormindo, dá na mesma. Qual o ensinamento? A semente é a Palavra. Ela é energia vital irresistível. Depois de anunciada, penetra nas mentes e nos corações, e quem já a escutou nunca mais consegue permanecer o mesmo. É inevitável que aconteça uma transformação anterior. Esta, porém, já não depende da habilidade ou dos esforços de quem lançou a semente da palavra, mas da energia de vida que esta possui, e quando muito, da espécie mais ou menos fértil.

Na segunda parábola Jesus põe em destaque a simplicidade de qualquer realidade que começa em comparação com a grandeza dos resultados. O exemplo do qual ele se serve é o do grão de mostarda. A mensagem está interligada com a da anterior. Jesus não tem o objetivo de profetizar sobre o futuro da Igreja que, tendo começado com alguns pobres pescadores, está destinada a se tornar uma sociedade numerosa e forte. Com está em Lucas, “O Reino de Deus não pode ser visto porque está no íntimo do coração de cada homem.” Jesus quer dizer que o Reino de Deus está semeado no mundo e no coração. Observando as suas diminutas dimensões, alguém poderia ser levado a pensar que logo será destruído, inutilizado. Jesus garante, ao invés, que, não obstante todas as aparências, ele crescerá e acabará transformando o mundo onde ele foi semeado. A mensagem dessa parábola deve transmitir-nos uma imensa alegria e um incomensurável otimismo.

Diante de qualquer obstáculo e de qualquer fracasso jamais se pode perder a certeza de que, não obstante todas as aparências negativas, o Reino de Deus está crescendo no coração dos homens.

José Geraldo Segantin
Pároco da Catedral de Franca - segantin@comerciodafranca.com.br