10 de julho de 2026

Produtores rurais pedem mais atenção do governo estadual


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Secretária de Agricultura do Estado de São Paulo, Mônica Bergamaschi, recebe diagnóstico da produção do café e do leite por meio do prefeito de Itirapuã, Marcos Alves

Os produtores de café e leite de Itirapuã e região apresentaram ontem à secretária de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Mônica Bergamaschi, um raio x das duas cadeias produtivas em 29 municípios da microrregião, integrantes do Comam (Consórcio dos Municípios da Alta Mogiana). O documento foi elaborado durante a realização do 2º Workshop Café com Leite, encerrado ontem pela secretária, e entregue pelo prefeito local Marcos Henrique Alves (PSDB) com o intuito de chamar a atenção para a importância da agricultura regional.

Coordenado pelo professor doutor Daltro Oliveira de Carvalho, o levantamento contou com quatro frentes de trabalho que se reuniram na quinta-feira para apontar os pontos positivos e negativos, os anseios e as oportunidades de cada uma das cadeias produtivas. “O intuito foi conscientizar a capacidade do produtor e mostrar às autoridades competentes uma radiografia da região, conhecer um pouco mais profundamente a realidade das duas cadeias.”

As discussões que reuniram cerca de cem produtores resultaram em uma carta de 12 páginas com os principais problemas e qualidades da produção e comercialização do café e do leite nos municípios envolvidos. “Esperamos que o diagnóstico possa ser utilizado como referência para possíveis programas em prol do desenvolvimento rural das duas cadeias e que os representantes dos órgãos competentes consigam implementar as políticas necessárias em curto prazo”, disse o prefeito de Itirapuã, Marcos Henrique Alves.

Entre os pontos mais emblemáticos relativos às duas cadeias elencados pelos produtores estão a falta de técnicos mais próximos das propriedades, de uma atualização mais rápida dos indicadores de agronegócio, o alto custo de maquinários, a mão de obra cara e deficitária, a ausência de segurança rural, a dificuldade para manutenção das estradas e o pouco incentivo recebido.

José Vitório Stefini é produtor de café em Itirapuã e participou da elaboração do diagnóstico. Após 40 anos produzindo leite, abandonou a cadeia leiteira por acreditar que o retorno não estava compensando. Segundo ele, se não houve mudança no sistema mais produtores irão desistir da cultura. “O retorno não estava valendo a pena, é muita burocracia, dificuldades, problemas com funcionários.”

Para a secretária de Agricultura, Mônica Bergamaschi, a radiografia é válida mas as soluções precisam ser buscadas em conjunto e de forma organizada. Em seu discurso disse que muito já tem sido feito pela agricultura paulista e continuará a lutar em defesa dos produtores. “O diagnóstico toca na ferida, mas também permite uma autoavaliação do setor. Ele exige muito, mas para fazer precisamos estar juntos e ter mais participação.”