20 de março de 2026

Temo que...


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Em 2007 foi lançado o filme The Queen, com Dame Helen Mirren, no qual a grande atriz interpreta Elizabeth da Inglaterra nos dias atuais, com ênfase no episódio da morte de Lady Di

Fã confessa da rainha, procurei o filme que, aliás, adorei. Nele, a triste e solitária mulher mais poderosa do mundo, pareceu-me mais carne e osso - e frágil - que nunca. O roteiro enfatiza o drama que ela enfrenta quando morre Diana, ex-nora, preterida de forma considerada absurda e incompreensível por Charles, em favor de outra mulher que todos acham feia, sem atrativos, deselegante, sem qualquer charme, embora tenha sido amada, a vida inteira, por ele. (Ah, esses loucos sentimentos humanos.)

A rainha não governa e os súditos esperam que ela cumpra à risca o protocolo, ritos e seu papel à frente da Grã-Bretanha. Ciosa de suas funções, ela não comete deslizes: nunca perdeu a compostura, a pose, a pompa, a circunstância, a fleuma. Nenhum súdito jamais viu um piripaque seu e raras vezes foi vista chorando em público.

A cena mais linda do filme é quando ela se aventura nas terras escocesas sozinha, e encontra alce majestoso e belo. Seus olhos arregalam, sua expressão é do mais puro encantamento. O animal vai embora e ela volta ao castelo, quando é chamada para saudar o caçador que havia recém-abatido preciosa presa. E ela cumprimenta, embora com expressão de dor nos marejados olhos e sem mexer um músculo do rosto, o homem que matara o espetacular alce que a extasiara horas antes. Era isso que se esperava da rainha.

Quando lhe contam da morte de Diana, ela mostra a mesma expressão de dor nos olhos, porém reage com a mesma aparente frieza: a ex-nora não pertencia mais à casa real, não lhe cabiam honras reais. A multidão reage, exige e, no fim, ela cede: Diana as teria todas. A rainha não é tão inflexível assim, demonstra. Ela chegou, dia 2 de junho, à incrível comemoração de 60 anos de reinado. Jubileu de Diamante.

Acompanho, de longe, os eventos. Acompanho, de perto, as notícias: a filha que reside lá relata com pormenores os preparativos. Quatro dias de feriado nacional. Os moradores das ruas que quiseram fazer festa receberam subvenção da prefeitura: era só fazer o cadastramento e ganhar a verba para subvencionar bebes e comes. Pormenor: se já houvesse festa agendada nas imediações, os pretendentes deveriam se juntar a eles: não era farra financeira. Todas as casas e carros de Londres estamparam a bandeira inglesa e/ou a Union Jack que, embora muito parecidas, diferem no formato. Teve apresentação musical com grandes artistas; as fotos da confraternização dos vizinhos enfeitados com as cores ingleses e imensos sorrisos de alegria e orgulho são provas dos sentimentos patrióticos e nacionalistas dos bretões. Máscaras, bonecos, bolos, óculos, latas de biscoitos, postais e extensa lista de revistas e suplementos dos jornais, louvam a rainha, a família real e o reinado. No desfile real pelo Tamisa houve tentativa de manifestação de repúdio, imediatamente abafada pelo protesto dos simpatizantes, em maior número e expressividade.

Temo que, no entusiasmo com as notícias das comemorações de aprovação à figura mais querida dos súditos ingleses, alguma cabeça iluminada do Planalto Central resolva comemorar, como nunca antes na história deste país, o dia 27 de outubro que está próximo e marca o nascimento daquele que pretende, a ver suas atitudes de mando, ser logo, logo, o rei brasileiro. É esperar para ver.

ASPAS
‘Si quieres hacer feliz a alguien que quieres mucho, dícelo hoy, sé muy bueno, en vida, Hermano. Si deseas dar una flor no esperes a que se muera; mándala hoy, con amor, en vida, Hermano. Si deseas decir ‘te quiero’ a la gente de tu casa, al amigo cerca o lejos ... en vida, Hermano: no esperes a que se muera la gente para quererla, y hacerle sentir tu afecto en vida, Hermano. Tu serás muy feliz si aprendes a hacer felices a todos los que conoces en vida, Hermano. Nunca visites panteones, ni llenes tumbas de flores, llena de amor corazones. En vida, Hermano, en vida.’ (Ana Maria Rabathé)

TERROR
Pais de adolescentes, por favor, vejam o filme Confiar (Trust), com Clive Owen (Will, o pai), Catherine Keener (Lynn, a mãe), Liana Liberato (Annie, a filha). Adolescente inicia amizade em chat da internet com rapaz que se diz com dezesseis anos. Mentia: bem mais velho, entra na vida da garota e compromete a vida afetiva da família, a saúde mental da garota e instala a tristeza e decepção onde havia harmonia e compreensão. Tão plausível, que dá medo.

CERCAS
Não faltam cercas de proteção nas avenidas laterais dos córregos francanos: motoristas imprevidentes baterão nelas e causarão acidentes graves da mesma forma. Faltam escrúpulos, educação e obediência às placas de orientação de trânsito por parte daqueles que se consideram imortais e poderosos no volante da máquina destinada a facilitar a vida humana, que se tornou arma mortífera dos fracos de cabeça. Falta punição. Falta vigilância. Faltam multas severas.

SORRISOS
Voltaram a sorrir para mim, quando me encontram. Vaidosa e presunçosa julguei ser por causa dos meus dotes, quando me lembrei da proximidade das eleições. Frustrada, percebi que são candidatos a candidatos a cargos políticos, em busca do meu voto.