Se já não bastassem os problemas de infraestrutura e acabamento que existiam no momento da entrega das casas do Prolongamento do Santa Bárbara, como já comentamos aqui nesse espaço, passado mais de um ano os transtornos continuam a fustigar os moradores. As ruas continuam sem asfalto, muitos postes foram danificados por vândalos, não há calçadas para pedestres, a poeira invade as casas quando não chove, o mau cheiro anda livremente a céu aberto e, quando finalmente chove, se por um lado a poeira se assenta, por outro a energia se acaba.
E não adianta reclamar com a santa. Sua especialidade são os trovões, as tempestades e os raios. Além de não ter muita experiência em infraestrutura urbana, não é recomendável que sua santidade se misture às mazelas mais corriqueiras que permeiam a nossa política.
Nesse sentido, é mais conveniente que os moradores deixem as preces de lado e comecem a pressionar as autoridades competentes para que cumpram as promessas feitas, ou melhor, para que cumpram os acordos firmados, pois os moradores estão pagando pelas casas recebidas. É um absurdo entregar um bairro aos moradores com tantos problemas, como aconteceu com o Prolongamento do Santa Bárbara, e ainda assim deixá-los tranquilamente ao deus dará, sem completar a infraestrutura necessária para o funcionamento normal do bairro.
Dentro do que costuma ser recorrente na política brasileira, resta agora aos moradores a inteligência de se unirem, de aproveitarem o pleito que se aproxima para ganhar força e conseguir ‘barganhar’ melhor a estrutura necessária em troca do apoio da comunidade ao candidato que melhor conseguir responder aos seus anseios. Já que parece não haver nenhuma previsão por parte do poder público para asfaltar e terminar de vez a infraestrutura do bairro, o melhor mesmo é partir para o jogo da negociação, com bom senso e uma dose controlada de pressão, algo admissível em um regime democrático.
Em tempos de eleições municipais, surge para a população uma das poucas oportunidades de ser ouvida pelos políticos. A despeito do caráter historicamente demagógico dessa audição, ainda sim é uma oportunidade de se fazer ouvir e de negociar os interesses da comunidade. Caso o candidato não cumpra o prometido depois de vitorioso, ainda assim resta o aprendizado democrático para essa comunidade, o que a tornará, ao longo dos anos e das eleições, mais crítica e preparada para a democracia, caso consigam desenvolver e integrar melhor esse espírito comunitário.
Em bairros mais afastados e pobres é sempre assim. Ou as pessoas esperam pacientemente pela especulação imobiliária que com certeza virá e que em seguida atrairá os investidores e os devidos melhoramentos, ou articulam-se para ganhar força e pressionar com mais inteligência e coesão, buscando adiantar essas mudanças.