O envelhecimento da população tem provocado o crescimento das chamadas casas de repouso, instituições dedicadas a cuidar da população idosa que, por várias razões, fica sozinha ou precisa de cuidados mais especiais do que a família pode dar. As casas podem ser públicas/filantrópicas ou particulares. Em Franca, existem nove clínicas, sendo quatro particulares. Das particulares, duas foram recém-inauguradas: uma delas é ligada a um hospital da cidade e a outra é filial de uma clínica de Ribeirão Preto.
As instituições públicas/filantrópicas são mantidas com recursos vindos da Prefeitura, do Estado e dos próprios internos, que entregam à clínica parte de sua aposentadoria. As particulares são mantidas pelos pacientes ou familiares e têm mensalidades de até R$ 4,5 mil.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas), o número de pessoas acima de 69 anos em Franca (e no Brasil) vem aumentando em ritmo acelerado. Em uma década, o número cresceu 58,4%: no ano 2000, segundo o Censo, a cidade tinha 9.898 com mais de 69 anos; dez anos depois, o total de idosos saltou para 15.683. No mesmo período, a população brasileira em geral cresceu 10,7%.
A estimativa do IBGE é de que dentro de 38 anos a população idosa no País será de 1,9 milhão de pessoas. E isso não é privilégio do Brasil. A expectativa de vida vem crescendo significativamente a cada ano em todo o mundo. Para se ter uma ideia, desde 1950, a esperança de vida ao nascer aumentou em 19 anos.
De olho nesse mercado ascendente, empresários e hospitais têm investido cada vez mais para agregar serviços e agradar o público da terceira idade. O Hospital Allan Kardec, por exemplo, inaugurou há alguns meses uma nova ala, a Clínica Terapêutica e Geriátrica Nova Era, com 30 leitos para atendimento particular e de convênios. Com recepção cinco estrelas e padrão de hospedagem comparado ao de um hotel, a mensalidade chega a custar R$ 4,5 mil.
A diária custa em média R$ 150 e inclui alimentação especial, pouso, atendimentos médicos 24 horas em clínica geral, além de consultas com especialistas em psiquiatria, neurologia, cardiologia e ginecologia. Os quartos acomodam até duas pessoas e, assim como os banheiros, são adaptados para as limitações da terceira idade. Há ainda praça arborizada, sala de convivência e de visitas.
Os atendimentos são multidisciplinares com assistente social, psicologia, nutrição, fisioterapia, terapeuta ocupacional, enfermeiros e educador físico. Há ainda os cuidadores para dar banho e cuidar de outras necessidades dos pacientes.
A administradora hospitalar Lázara Maria Bernardes Batista, há 16 anos na área, estima que os serviços oferecidos aos idosos tendem a se tornar cada vez mais procurados. “O Brasil está envelhecendo e serão necessários profissionais e locais preparados para atendê-los, por isso estamos nos especializando cada vez mais”, disse.