08 de julho de 2026

Unidos há mais de 50 anos


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O casal Julieta Ribeiro e José Roberto Aidar enfrentou período difícil, mas superou tudo com amor

Foi numa tarde de agosto de 1961 que eles se encontraram pela primeira vez. Naquela época era muito comum os jovens marcarem encontros com as garotas na praça Barão, no Centro da cidade. E foi lá que Julieta Ribeiro Goulart Aidar e José Roberto Aidar se conheceram. “Eu fui acompanhar um amigo que tinha marcado um encontro com a amiga da Julieta e, quando a vi, na hora me interessei”, lembra José Roberto.

Os dois engataram o namoro. “Mas namorar naqueles tempos era muito diferente de hoje em dia. Eu levei uns quatro meses para poder pegar na mão dela. Nem quando íamos ao cinema ela deixava eu me aproximar.”

Muito novo e imaturo, José não era um namorado lá muito aplicado. “Ele sempre me deixava esperando. Me trocava pelos amigos e nem avisava. Um ano depois, eu desisti e resolvi namorar um moço de São Paulo”, conta Julieta.

Foi o bastante para José Roberto perceber que Julieta era a mulher da sua vida. “Eu sofri horrores. Nossa, eu falava para todo mundo interceder por mim. É aquela história, a gente só dá valor depois que perde.”

A insistência de José deu certo. “Quase um ano depois, num Ano Novo, eu passei em frente à casa do tio dela e a vi sentada no alpendre. Um amigo que estava comigo fez uma serenata e, então, beijei-a pela primeira vez. Meu coração veio na boca. Nunca vou esquecer aquele beijo.”

Os dois voltaram e se casaram em 1970, depois de oito anos de namoro. A vida de casados sempre foi agitada. “A gente adorava sair à noite, viajar... Eu sou representante comercial, viajava muito e nunca a deixava em casa. Ela sempre esteve comigo.”

A rotina mudou há 13 anos. Julieta sofreu um aneurisma. Passou dois meses na UTI no Hospital São Francisco, em Ribeirão Preto. “Eu quase morri. Emagreci 13 quilos em 20 dias. A gente só podia vê-la aos domingos e eu fazia questão de estar lá com nossos quatro filhos.”

A recuperação de Julieta foi o período mais difícil que enfrentaram, mas José Roberto nunca pensou em abandoná-la. “Tem muita gente que até hoje me olha e vem perguntar por que ainda estou com ela. Estou com ela porque a amo, porque não sei viver sem ela ao meu lado. Agradeço todos os dias por ela estar viva, por ainda me apoiar. Tudo o que sou eu devo a essa mulher.”

Hoje Julieta ainda não tem todos os movimentos do corpo e vive em uma cadeira de rodas. “Para mim, a vida sem ele também não teria a menor graça.”