08 de julho de 2026

Aplicar ou não?


| Tempo de leitura: 2 min

Hora de verdadeira ‘faxina financeira’ nos seus investimentos. O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central baixou de 9% para 8,5% ao ano a Selic, taxa básica de juros. Com isso, pela primeira vez será utilizada a regra criada recentemente que muda o cálculo e reduz o rendimento da caderneta poupança, que passa a ser de 70% da Selic, mais a Taxa Referencial (TR).

Esta forma de gatilho ocorre porque, com a queda de juros SELIC nos últimos meses, a poupança estava caminhando para se tornar mais atrativa do que todos os fundos de renda fixa, e assim, até grandes aplicadores, estavam migrando para a caderneta, fazendo com que o Tesouro Nacional tenha menos compradores dos títulos públicos.

Na caderneta, teriam a vantagem de risco zero, isenção de Imposto de Renda e taxas de administração.

Com a mudança, chegou o momento de análise aprofundada para quem aplica, definindo claramente os objetivos, e direcionando o dinheiro.

Em primeira análise, a redução não significa que deverá deixar esta modalidade ou investir em outro tipo de aplicação. A nova regra só vale para novas aplicações na poupança.

Por mais que os números mostrem um tipo de investimento como vantajoso, muito precisa ser avaliado antes da decisão, especialmente o comportamento do mercado, e, sonhos e objetivos que se quer atingir com o dinheiro investido. Investir apenas na linha que aparentemente tem maior rentabilidade pode ser uma armadilha, levando a prejuízos.

E dinheiro poupado deve ser dividido em investimentos direcionados aos objetivos e sonhos de curto, médio e longo prazos.

Sonhos de curto prazo são aqueles que se pretende realizar em até um ano. Para esses, ainda vale a caderneta de poupança. Haverá disponibilidade sem pagar taxas, imposto de renda ou sem perda de rendimentos.

Sonhos de médio prazo abrangem um período de um a dez anos. Para esses, são interessantes linhas com prazos pré-estabelecidos no período do sonho a ser realizado. Recomendo Tesouro Direto, CDB, Fundo de Investimentos, Título do Tesouro e ouro, e é bom pesquisar em pelo menos três instituições financeiras de grande porte.

Já os sonhos de longo prazo, acima de dez anos, aqueles que a maioria das pessoas acreditam que não irão realizar, fazem com que muitos desanimem antes de começar.

Afirmo, seja qual for o seu sonho, que é factível realizar, mas, é preciso perseverança e começo imediato.

Recomendo investir em Tesouro Direto, previdência privada, e ações. No caso de investimento em ações, o melhor é investir no máximo 20% do dinheiro total, porque há risco que depende do desempenho da empresa na qual se investe.

É importante não tomar decisões por impulso. Também recomendo uma reserva financeira extra para imprevistos (para isso, poupança também é recomendada). Problemas desviam dinheiro dos sonhos de médio e longo prazo. Por fim, por mais que as informação direcionem para mudanças de aplicações, uma das premissas da educação financeira é manter a calma e ter objetivos.

Reinaldo Domingos
Educador financeiro, autor de livros de educação financeira para o Ensino Básico