08 de julho de 2026

Nova classe média


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Comissão de especialistas formada pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República definiu novos parâmetros para se especificar a classe média brasileira. A partir de agora, as famílias que tiverem renda per capita entre R$ 291 e R$ 1.019 serão consideradas de classe média.

Mais especificamente, essa classe média foi dividida em três grupos. A baixa classe média será formada por pessoas com renda familiar entre R$ 291 e R$ 441. A média classe média vai ficar no intervalo entre R$ 442 e R$ 641 e a alta classe média compreenderá famílias com renda entre R$ 642 e R$ 1.019.

É claro que a criação desses parâmetros não é uma tarefa fácil, dada a complexidade do mundo contemporâneo. É certo também que eles não se configuram uma unanimidade, já que são números arbitrários, escolhidos a partir de determinados critérios e de uma visão socioeconômica. De qualquer forma, são importantes para facilitar as pesquisas e as análises em relação ao consumo, aos gostos, ao padrão de consumo e ao pensamento dessas pessoas.

O problema, porém, é que por esses novos parâmetros a classe média está bastante depauperada. Pelos números apresentados é possível concluir que ela se aproxima mais da pobreza do que do meio do caminho entre os extremos da riqueza e da pobreza, como sugere o significado de seu nome.

Uma renda familiar per capita de R$ 291 para um agrupamento de 4 pessoas, por exemplo, daria algo próximo a R$ 1.200 por mês. Com esse dinheiro, essas pessoas teriam que pagar aluguel, energia elétrica, água, telefone, comprar roupas e remédios, arcar com seu transporte, se alimentar e também se divertir, porque todo o cidadão deveria ter o direito ao lazer e ao entretenimento.

Esse montante, no entanto, não é suficiente para tanto. É claro que milhões de brasileiros vivem com isso ou até com menos, mas daí a chamá-los de classe média vai uma longa distância. Mesmo com uma renda familiar em torno de R$ 4.000, o que segundo os novos parâmetros configuraria a alta classe média, fica fácil perceber os limites dessa suposta classe média.

Com esse montante, dificilmente uma família de quatro pessoas conseguiria garantir ensino de qualidade para seus filhos, assim como um bom plano de saúde todos, para além daqueles gastos mencionados, o que a obrigaria a continuar consumindo esses serviços no sistema público, sabidamente piores e deteriorados.

Ou seja, o que se percebe nesses novos parâmetros é uma classe média que nem consegue chegar a ser média, aproximando-se bem mais das classes de baixa renda. Talvez esses novos parâmetros sirvam mais para trazer dividendos à política econômica do governo, mostrando um possível crescimento da economia, do que para encher de orgulho essa nova classe média brasileira.