Quando chegamos a uma cidade pela primeira vez, geralmente somos fortemente impactados pelo que vemos. O visual das ruas e avenidas, a qualidade do calçamento, das vias públicas e das moradias que vão se adensando conforme nos aproximamos do perímetro urbano, sobretudo em cidades de médio porte como Franca.
Aqui, porém, o impacto não é tanto visual, mas principalmente olfativo. E não é nada positivo, ao contrário. Para quem chega a Franca pelos lados do Distrito Industrial, a experiência é bem desagradável. O cheiro ruim invade os automóveis, as narinas e também a memória olfativa, gerando uma impressão bastante ruim da cidade.
Mas se é ruim para quem chega ou apenas passa pela cidade, imaginem para quem vive nos bairros próximos ao Distrito, onde se concentra a maior parte de nossos curtumes e a quase totalidade do mau cheiro produzido por eles? Não deve ser nada fácil.
Nesse sentido, é bastante compreensível a multa aplicada pela Cetesb (Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental) à Amcoa (Associação dos Manufaturadores de Couros e Afins), além de correta. Se viver em um lugar feio já faz muito mal para o sentido estético que está presente em qualquer ser humano, causando uma sensação às vezes até inconsciente de mal-estar, viver com odores fétidos é praticamente impossível, pois o problema aí deixa de ser o sentido do belo ou do estético que incomoda a alma e passa a ser o cheiro ruim que agride diretamente o corpo e interfere na vida cotidiana das pessoas.
Tudo bem que os curtumes são parte importante de nossa cadeia calçadista, empregam muitas pessoas e precisam funcionar. Mas se enquanto país ainda não fomos capazes de resolver melhor esse processo de tratamento do couro ou, melhor, do tratamento dos resíduos, precisamos ao menos encontrar soluções para livrar a cidade desses odores inconvenientes, sobretudo aqueles moradores que vivem mais próximos dessas indústrias.
Não é possível que as pessoas sejam obrigadas a colocarem baldes com água e desinfetante nos quartos para que crianças consigam dormir. Também é inadmissível que em seus momentos de lazer ou descanso as pessoas precisem utilizar sprays aromatizados para tentar minimizar o cheiro ruim que invade suas casas.
Em função disso, é de se esperar que essas multas forcem os curtumes a buscarem uma solução mais concreta e definitiva para o caso. Com tanta tecnologia disponível, é de se esperar que haja uma solução simples e rápida para solucionar esse problema, a despeito dos investimentos necessários por parte dos empresários.
Do jeito que está é que não pode ficar. Franca não merece esse horroroso ‘cartão postal olfativo.’